Reconhecimento profissional. Aahhh.... ele!
O mais desejado, o mais buscado, o mais importante sonho dos nossos corações!
Ser querida! Ser respeitada! Ser apreciada!
Quase toda aquela que persiste no caminho da dança profissional, no fundo, move mundos e fundos pelo reconhecimento.
Crescer, se desenvolver, vencer, significa antes de mais nada, reconhecimento. Porque dele vem o dinheiro e o sustento da dançarina que ama o que faz e se dedica.
Mas não é de dinheiro somente que estamos falando, certo? Para isto, tantas dançarinas têm suas outras profissões, e mesmo aquelas, como eu, que não têm, não estão nesta exatamente por dinheiro, né?
Dinheiro é bom e todo mundo quer.
Mas aquilo que vale mais do que dinheiro, no mundo bellyco, é reconhecimento. Fotos no final do show, marcações com sorrisos e corações no facebook, ministrar workshop em outra cidade, ser convidada para o show de gala do festival...
Muitas vezes tudo isso cansa. Muitas vezes a gente faz de graça! Mas também é o que alimenta a nossa alma.
Poucas são aquelas que conseguem, no Brasil, de fato, receber para fazer tudo isto. E mesmo estas, pode ter certeza, de que já fizerem de graça muitas vezes. Porque é estratégico! Mas também porque é muito prazeroso...
Está ali, não tem como negar: É o ego!
Menina, não tem como fingir que não, todo mundo tem um! O exercício da humildade se faz importante, porque justamente sem ela, seria insuportável para as bellydancers conviverem umas com as outras.
E precisamos tanto umas das outras...
Até aí, tudo lindo.
Mas e quando o reconhecimento não vem? E quando aquelas pessoas chamam todo mundo menos você?
A gente faz o nosso, agita a nossa panela, esperneia e acha que o resto não sabe de nada.
É ou não é?
Claro que cada produtor tem suas motivações e objetivos diferentes para realizar seus eventos, e muitos são lindos, válidos e muito sérios. Mas a verdade é que muita, muita gente por aí, tem como única motivação a auto promoção e a moeda de troca para ser chamada para outros eventos.
Eventos toscos, caça níquéis. Concursos mal elaborados, falta de condições, de preparo e etc.
Atrás do reconhecimento fazemos aula, conhecemos gente, fazemos social.
Atrás de reconhecimento, fazemos business e negociamos nossa própria felicidade como mercadoria.
O que fazer?
Exatamente tudo isso que a gente já faz! Não tem mesmo outro caminho, nem outra saída. A sobrevivência precisa de reconhecimento, um pouco de política nunca fez mal a ninguém.
O grande lance é tentar medir onde é que isto tudo te envenena e onde é que isto tudo te engrandece.
Às vezes o destaque para alguém que não merece, ou que você acha que merece mais que aquela pessoa estar na matéria da revista, a foto no site, o solo no festival....
Fazem parte do ser humano, o ciúme, a inveja e o despeito. Inútil posar de santa e dizer que nunca sentiu. Mentira. Mas também é do ser humano, a reflexão, a escolha, a superação.
É tão difícil, eu digo de minha parte, quando uma aluna a quem eu sei que ainda tenho muito a ensinar, vai fazer aula com outra pessoa. Sinto ciúmes, dependendo do caso. Mas preciso respeitar que ela tem seu direito de escolha e o direito de se sentir melhor em outro lugar. Às vezes é por causa da vida, facilidade de horários, ou local..
Na maioria dos casos, a questão não é pessoal. Não apreciar sua dança, não significa que aquela pessoa te quer mal, ou não gosta de você. Ou até que aprecia sua dança sim, mas não é o momento de trocar com você, ou não que você não seja boa professora, mas naquela hora ela está se identificando mais com outra pessoa.
Somos inseguras, carentes, parciais. Estar bem, nos dias de hoje é um exercício diário.
É preciso olhar mais para aquelas que estão ao nosso lado, que nos fortalecem no nosso dia a dia. Que gostam de nós e estão no momento de trocar e de admirar sua arte. Encontre sua turma!
Estou falando com você, que é uma grande pessoa, profissional dedicada, bonita, criativa, estudiosa, com bons vídeos e fotos publicadas, mas que vê o tempo passar e ainda não viu o grande sonho do estrelato nacional / internacional acontecer.
Até porque ele é efêmero. É ilusório, é passageiro. Raras permanecem nele como uma diva de hollywood. A maioria um dia, tem que voltar para o Brasil. A maioria, um dia, acorda sem maquiagem no rosto e o que é que sobra, quando você no espelho profundo da alma? O que cultivou com a dança? Quais flores foram plantadas para darem frutos?
A pessoa mais infeliz que conheço tem um grande reconhecimento internacional, mas se preocupa em invejar e prejudicar aqueles que não a veneram. Porque só olha para o que não tem, nunca para o que tem.
Encontrar a sua turma, estar feliz nela, realizando suas coisas com o pé no chão.
Com o passar dos anos nada pode dar maior prazer e felicidade do que uma aluna iniciante em seu primeiro solo, ou aquela que cumpre seu curso com aproveitamento total, que você vê desabrochar.
Estar entre amigos, fazer o que se ama, sem se preocupar com o que os outros estão pensando.
Dançar para quem quer ver você dançar. Mesmo que a platéia esteja cheia daqueles que não querem. Estes não importam. E quem sabe, um dia, mudem de ideia.
Você nunca vai agradar a todo mundo, mas foque naqueles que te amam, e dão suporte para você realizar seus sonhos com generosidade e amor.
E procure ser feliz, sempre mais que o possível neste mundo egoísta, errado e torto.
Ainda assim, tudo está em seu lugar.
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sexta-feira, 4 de abril de 2014
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Identidade Artística
Existem muitos estilos de Dança do Ventre.
A função da arte é expressar. Pelo menos, no meu entender. Na caminhada de aprendizado artístico, é muito comum que a gente se depare com os diferentes estilos e questione cada um deles. É normal estranhar, ou até mesmo repudiar algum deles, dependendo da fase da vida em que a gente se encontre. Eu fiz isto, muitas vezes. "Narciso acha feio o que não é espelho", diz Caetano. Pura verdade. De acordo com o tempo, e a experiência que a gente vai adquirindo, podemos, ou devemos, mudar de ideia. Conhecer o diferente não é ruim, mas sim uma busca para ampliar nossos horizontes e tentar compreender outros pontos de vista. E se colocando no lugar do outro, nos enriquecer.
Deste modo a artista pode ganhar novas experiências, e com elas encontrar o jeito que a faz melhor se expressar, comunicar com o mundo. Esta seria a busca pela sua própria identidade artística.
Este é um tema bastante amplo. Podemos compreender a identidade artística como uma só. A bailarina que dança daquele jeitinho só dela, mas que faz só aquilo... veste somente aquele tipo de traje e dança somente aquele tipo de música. Embora este tipo de identidade seja útil ao marketing, e seja, via de regra, aplicado por muitas grandes artistas internacionais, a mim, parece limitado.
Porque o ser humano tem muitas faces dentro de si. Porque tem o bem e o mal, a luz e as trevas, a pureza e a malícia. Porque é moderno e é ancestral, porque é tradicional e contemporâneo. Por que não, explorar diversas facetas de teu próprio ser?
Trocando em miúdos...
Eu mesma, vivo na corda bamba entre o Tribal e o Ventre tradiciona. E mesmo dentre eles, nunca me defini como uma só. Apesar de ser única em meu Tribal com Fusão em Danças Brasileiras, eu também sou ATS®, mas também adoro Fusion, aquele clássico da Rachel, porque não?
Dentro do Ventre tradicional, muitas pessoas pensaram por muito tempo que eu só fazia folclore. Ainda hoje, sou escalada praticamente apenas para as bancas de folclore nos concursos, por causa do marketing em cima do estilo Baladi. Em outra fase, fui chamada apenas para dançar Tarab.
Não sei explicar o que acontece, uma pressão mercadológica para te empurrar para uma linha única de identidade artística. Uma vez que comecei a estudar tribal, muitas pessoas imaginaram que eu teria deixado de dançar ventre tradicional.
Mas eu pergunto por que? Porque devo ser somente aquilo que querem que eu seja?
Minha identidade artística é plural. Me permito experimentar outros universos, outras músicas, outros jeitos de dançar, e ainda me aprofundar na cultura, tentar compreender melhor a raíz, a matriz da dança popular que tudo gerou.
Fiz dança contemporânea por 3 anos. Dentre outras linhas, como balé, afro e danças populares brasileiras. Minha arte não pode estar imune a estas outras experiências.
Permaneço questionando a mim mesma, neste momento. Será este ponto de vista o meu erro? Será que por isto não vou mais à frente? Será que se tivesse escolhido apenas um caminho eu teria alcançado mais além? Boa ou ruim, esta foi minha escolha.Porque ser uma artista não é como ter um emprego onde me dizem o que fazer. A arte se move por inquietudes internas, que precisam de soluções que só podem ser buscadas dentro do meu coração. E meu coração precisa conhecer, aprender, experimentar, alcançar outras pessoas em outros lugares.

Performáticas, tradicionais, inovadoras, virtuoses, populares, expressivas...
Muitas identidades podemos explorar.
Você pode gostar do estilo brasileiro, do estilo americano, ou argentino. Pode apreciar as egípcias, ou ainda o estilo das bailarinas que dançam na Península Arábica. Existem as russas e ucranianas. O estilo libanês. O turco. O Tribal tem ATS®, ITS, tem Fusion cigano, com hip hop, com indiano, afro, tailandês, dark...
etc etc etc...
E conhecendo a matriz deles, a história da dança do ventre em cada um destes, você compreende a tua irmã artista, que tem uma outra história corporal diferente da tua. Você não é obrigada a gostar, mas a respeitar, a cima de tudo.
Ainda não compreendo bem determinadas aspectos, como a diferença de leitura musical de um estilo para outro e este fato me leva sempre de volta ao Egito. A valorização dos arranjos musicais, da leitura melódica. Da expressão. Isto me fascina. Mas muita gente vai mesmo atrás do virtuosismo de um bom solo de derbake de impacto.
Não importa.
Importa você saber que existem outras verdades além da sua e permanecer estudando para melhor compreender. Vai que um destes estilos te enriquece e você o adota?
Acho importantíssimo para dançarinas de tribal conhecer música e cultura egípcia. Acho útil para dançarinas tradicionais conhecerem o que é o tribal e saber reconhecer músicas compostas para este fim.
Para não ficar usando música de tribal em coreografia folclórica. Aiaiaiaiai....
Confesso, nunca gostei do estilo argentino. Mas me esforço para compreender que sua escola é fundamentada em Jazz e que a dança veio para a Argentina através de artistas comprometidas com a arte da performance de palco, impactante e quase aculturada. Que existe ali um fundamento que move milhares de artistas no mundo inteiro que se identificam com aquilo e que de alguma forma isto é um significativo cultural importante.
A dança do ventre é cênica e popular.
Sua magia cênica cria rapidamente identificação em nós, ocidentais, encantados pelo uso dos acessórios, pelo girar, pelo glamour... Um mercado que move milhões de dólares em todo o mundo, figurinos, composições musicais, dvds didáticos, cias de dança, workshops e festivais internacionais. Show Bizzness.
Só depois, a partir dali sim, nos movemos em busca de conhecer e entender a cultura originária de tudo isto.
Enfim, não deixe, querida irmã, de estudar, de assistir vídeos, de absorver conteúdo histórico, teórico, de ver as mais diferentes dançarinas com olhos puros. Só a tentativa de compreender, fundamentada no conhecimento é que pode gerar opiniões críticas genuínas e construir dentro de você sua identidade, que vai expressar para o mundo aquilo que há de mais caro: Você mesma. Com sua história corporal, com seus anseios artísticos. Você.
A função da arte é expressar. Pelo menos, no meu entender. Na caminhada de aprendizado artístico, é muito comum que a gente se depare com os diferentes estilos e questione cada um deles. É normal estranhar, ou até mesmo repudiar algum deles, dependendo da fase da vida em que a gente se encontre. Eu fiz isto, muitas vezes. "Narciso acha feio o que não é espelho", diz Caetano. Pura verdade. De acordo com o tempo, e a experiência que a gente vai adquirindo, podemos, ou devemos, mudar de ideia. Conhecer o diferente não é ruim, mas sim uma busca para ampliar nossos horizontes e tentar compreender outros pontos de vista. E se colocando no lugar do outro, nos enriquecer.Deste modo a artista pode ganhar novas experiências, e com elas encontrar o jeito que a faz melhor se expressar, comunicar com o mundo. Esta seria a busca pela sua própria identidade artística.
Este é um tema bastante amplo. Podemos compreender a identidade artística como uma só. A bailarina que dança daquele jeitinho só dela, mas que faz só aquilo... veste somente aquele tipo de traje e dança somente aquele tipo de música. Embora este tipo de identidade seja útil ao marketing, e seja, via de regra, aplicado por muitas grandes artistas internacionais, a mim, parece limitado.
Trocando em miúdos...
Eu mesma, vivo na corda bamba entre o Tribal e o Ventre tradiciona. E mesmo dentre eles, nunca me defini como uma só. Apesar de ser única em meu Tribal com Fusão em Danças Brasileiras, eu também sou ATS®, mas também adoro Fusion, aquele clássico da Rachel, porque não?
Dentro do Ventre tradicional, muitas pessoas pensaram por muito tempo que eu só fazia folclore. Ainda hoje, sou escalada praticamente apenas para as bancas de folclore nos concursos, por causa do marketing em cima do estilo Baladi. Em outra fase, fui chamada apenas para dançar Tarab.
Mas eu pergunto por que? Porque devo ser somente aquilo que querem que eu seja?
Minha identidade artística é plural. Me permito experimentar outros universos, outras músicas, outros jeitos de dançar, e ainda me aprofundar na cultura, tentar compreender melhor a raíz, a matriz da dança popular que tudo gerou.
Fiz dança contemporânea por 3 anos. Dentre outras linhas, como balé, afro e danças populares brasileiras. Minha arte não pode estar imune a estas outras experiências.
Permaneço questionando a mim mesma, neste momento. Será este ponto de vista o meu erro? Será que por isto não vou mais à frente? Será que se tivesse escolhido apenas um caminho eu teria alcançado mais além? Boa ou ruim, esta foi minha escolha.Porque ser uma artista não é como ter um emprego onde me dizem o que fazer. A arte se move por inquietudes internas, que precisam de soluções que só podem ser buscadas dentro do meu coração. E meu coração precisa conhecer, aprender, experimentar, alcançar outras pessoas em outros lugares.
Performáticas, tradicionais, inovadoras, virtuoses, populares, expressivas...
Muitas identidades podemos explorar.
Você pode gostar do estilo brasileiro, do estilo americano, ou argentino. Pode apreciar as egípcias, ou ainda o estilo das bailarinas que dançam na Península Arábica. Existem as russas e ucranianas. O estilo libanês. O turco. O Tribal tem ATS®, ITS, tem Fusion cigano, com hip hop, com indiano, afro, tailandês, dark...
etc etc etc...
E conhecendo a matriz deles, a história da dança do ventre em cada um destes, você compreende a tua irmã artista, que tem uma outra história corporal diferente da tua. Você não é obrigada a gostar, mas a respeitar, a cima de tudo.
Ainda não compreendo bem determinadas aspectos, como a diferença de leitura musical de um estilo para outro e este fato me leva sempre de volta ao Egito. A valorização dos arranjos musicais, da leitura melódica. Da expressão. Isto me fascina. Mas muita gente vai mesmo atrás do virtuosismo de um bom solo de derbake de impacto.
Não importa.
Importa você saber que existem outras verdades além da sua e permanecer estudando para melhor compreender. Vai que um destes estilos te enriquece e você o adota?
Acho importantíssimo para dançarinas de tribal conhecer música e cultura egípcia. Acho útil para dançarinas tradicionais conhecerem o que é o tribal e saber reconhecer músicas compostas para este fim.
Para não ficar usando música de tribal em coreografia folclórica. Aiaiaiaiai....
Confesso, nunca gostei do estilo argentino. Mas me esforço para compreender que sua escola é fundamentada em Jazz e que a dança veio para a Argentina através de artistas comprometidas com a arte da performance de palco, impactante e quase aculturada. Que existe ali um fundamento que move milhares de artistas no mundo inteiro que se identificam com aquilo e que de alguma forma isto é um significativo cultural importante.
A dança do ventre é cênica e popular.
Só depois, a partir dali sim, nos movemos em busca de conhecer e entender a cultura originária de tudo isto.
Enfim, não deixe, querida irmã, de estudar, de assistir vídeos, de absorver conteúdo histórico, teórico, de ver as mais diferentes dançarinas com olhos puros. Só a tentativa de compreender, fundamentada no conhecimento é que pode gerar opiniões críticas genuínas e construir dentro de você sua identidade, que vai expressar para o mundo aquilo que há de mais caro: Você mesma. Com sua história corporal, com seus anseios artísticos. Você.
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Sobre ATS e Tribal Fusion
Vídeo entrevista no blog da Nilza Leão
http://www.blognilzaleao.com.br/compreendendo-ats-e-tribal-fusion/?fb_source=pubv1
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