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sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Estilo Reda e Muwashahat - Música x Dança

Muwashahat um termo para designar a música medieval árabe originada na Espanha islâmica durante o século X. É uma sofisticada forma musical que inclui vocalização e prolongados padrões rítmicos. É considerado um termo tanto para uma forma de poesia quanto para um gênero musical.
O nome muwashahat, foi dado em referência ao Wishah a (faixa) que as mulheres usavam na Andaluzia. É descrito como sendo confeccionado em artesanato delicado, semelhante à intrincada estrutura melódica, rítmica e poética do muwashahat, bem como aos significados que provocava no uso de imagens. Os poemas expressavam diretamente os pensamentos e sentimentos do poeta. A letra falava de amor, alegria e tristeza. O uso de imagens enriqueceu essa forma poética
Embora sejam escritos em árabe clássico, os poemas não se baseiam na métrica da poesia árabe clássica. Em vez de usar uma sequência fixa de sílabas acentuadas e não acentuadas, elas são agrupadas como adaptações de um padrão musical rítmico pré-determinado. 
Al Faruqi em seu artigo “A tradição andaluz”, descreve como um poema apresentado com música, consistindo de repetidos retornos a uma mesma estrofe como um refrão musical.
Em 1492, quase meio milhão de árabes foram expulsos da Península Ibérica. Eles migraram para o norte da África, levando consigo sua tradição cultural. Músicos e cantores carregavam consigo sua herança musical de tratados, instrumentos e diferentes gêneros musicais, que incluíam milhares de muwashahat.
Jihad Racy escreveu que “é aceito comumente que esta forma musical foi introduzida no Egito por um músico vindo de Aleppo na Syria no final do século dezessete”. Este estilo se manteve muito presente na cultural musical do Egito até os primeiros anos do século XX.
Na moderna interpretação deste gênero, estes ritmos intrincados foram substituídos por outros mais curtos e mais dinâmicos em seus padrões. Enquanto a forma essencial permanecia intacta, instrumentos ocidentais eram adicionados, juntamente com uma harmonia simples e o contraponto. As letras dos poemas reeditados ainda retinham o idioma clássico e a metafórica forma descritiva da poesia Muwashahat.

Muwashahat andaluz

Lama Bada Yatathana

Oh Ghazelle - Foad Abdel Magid


Estilo de Dança: Mwashahat Raqisah
Em 1979 Reda foi convidado a passar uma noite musical na casa de Hammada Madkour. Lá, ele ouviu pela primeira vez o talentoso Fouad Abdel Magid outro compositor não profissional que escreveu a letra, compôs e cantou Muwashshahat simplesmente pelo amor e alegria. (Houve muitas noites agradáveis, cheias de música e música realizadas nos anos que se seguiram em nossa casinha). Ali Reda ficou tão impressionado e rapidamente decidiu colaborar com Fouad Abdel Magid para montar uma produção na qual o Reda Troupe tocaria sua música.
Mahmoud Reda produziu para a tv, oito peças de dança. Estas coreografias foram apresentadas no palco pela primeira vez no Cairo em 1980.
Reda diz que, “os significados e imagens evocados são intricadamente tecidos na estrutura dos poemas, como um laço bem dado”, o que é de fato pertinente ao significado da palavra muwashahat na língua árabe, que traz a ideia dos pontos da Wishah, como elos de uma corrente.
Ao contrário do compositor e arranjador musical, Mahmoud Reda não tinha nenhum ponto de referência para coreografar. Embora tenha sido documentado que havia muitas dançarinas, absolutamente nenhuma referência está disponível sobre como elas dançavam. Foi a primeira vez que o Muwashshah foi apresentado como um espetáculo de dança. Reda ele não estava restrito a nenhuma referência temporal específica ou tradição de dança. Isso lhe deu uma ampla gama de movimentos e possibilidades coreográficas. Em suas coreografias, ele contava com sua imaginação artística e como a música o inspirava, além de sua experiência e rico repertório de vocabulário de movimento que acumulou por muitos anos.
Coreografar estas peças foi extensão de um trabalho criativo sem precedentes de Mahmoud Reda. A forma musical deste gênero, com seus variados padrões rítmicos, deu a ele novas bases pelas quais se expressar como coreógrafo. A qualidade estrófica das letras que acompanhavam a melodia influenciou sua escolha nas combinações de movimentos e nos desenhos espaciais.
Ele não tentou nenhuma interpretação direta do imaginário presente nos poemas, mas projetou em forma de dança o ânimo que cada poema evocava.

 http://cursotecnicodanca.blogspot.com.br/2011/08/mahmoud-reda-e-sua-troupe.html

Gharib El Dar - Mahmoud Reda




Minha percepção, experiência e aprendizado direto com Farida me leva a concluir que Muwashahat, enquanto linha estética de dança, está ligado ao que chamamos de estilo clássico de dança oriental, e que vêm a ser a marca registrada do estilo Reda. Mesmo em suas mais profundas pesquisas sobre o folclore egípcio, Reda a tudo misturava seus padrões de giros, “pas de bourrée”, arabesques e “soutenir”, criando uma forma elegante e sofisticada de interpretar qualquer dança popular. 
A influência do Balé na dança do ventre é histórica e tem haver com a própria concepção em si da linha estética de dança “Raks El Shark”.  A partir da década de 20, a bailarina que antes dançava seu baladi (sua dança popular) recebeu treinamento em balé e foi ensinada a se portar em cena. O Figurino foi alterado e a própria dança tomou outro nome, o que torna este estilo de dança cênico, artístico e fusionado em sua concepção, diferente das danças populares egípcias de onde vêm os movimentos de quadril assimilados.
A Reda Trupe surgiu muitas décadas após o início deste processo, quando já os coreógrafos folclóricos ou de dança oriental recebiam desde o início seu treinamento em balé. Acredito que a concepção da dança muwashahat tenha vindo como uma consequência natural.
Nadja El Balady

Inserção do estilo Mwashahat dentro de uma rotina oriental

Este estilo é comumente representado dentro do estilo musical conhecido como Rotina Oriental, Rotina Clássica, Opening Music, Mejance ou Mis em Céne. Este é um estilo que combina diversos estilos musicais em uma só música, fazendo uma espécie de “colcha de retalhos” cultural em cada composição. É comum que as rotinas modernas contenham um trecho de mwashahat, sendo representado por uma estrutura mais ou menos comum a todas as rotinas: A entrada de um ritmo que em cada compasso temos contagem ímpar - Vals (3 tempos) - e/ou extenso (com compassos de mais de 4 tempos) -  normalmente Samai (10 tempos) ou Masmoud Kbir (8 tempos) – acompanhado de arranjo musical com duas sonoridades melódicas predominantes: Violinos orquestrados e qanoum ou alaúde. Teremos uma frase musical tocada com violinos que se repetirá com qanoum ou vice-versa. Nada impede que entrem outros instrumentos como flautas e violinos solistas. Nada impede que sejam outros ritmos extensos utilizados além dos mencionados neste texto. Existem inúmeros ritmos que servem para compor Mwashahat. Aqui cito alguns dos mais comuns encontrados nas composições de Rotinas.
A bailarina pode interpretar este estilo através dos movimentos de Muwashahat ou não. Fica a seu critério. Dentro da leitura musical, o Mwashahat faz pouca distinção entre os instrumentos melódicos. Isto significa que a leitura corporal através do vocabulário de mwashahat não usaria sinuosos com tremidos para Qanoum ou alaúde, por exemplo. Ou sinuosos para flauta. O que eu, Nadja El Balady, acabo por escolher, é uma leitura mista, usando quadril para ilustrar Qanoum e alaúde, e o vocabulário de Mwashahat (de natureza aérea) para o trecho com os violinos.


Nadja El Balady - Trecho de Mowashahat da música Nour ala Nour


Sobre Mahmoud Reda – fonte - http://egyptianacademy.com/jml2/mahmoud-reda


Nascido em 18 de março de 1930, no Cairo, Egito, Mahmoud Reda é um pioneiro do teatro de dança no Egito. Solista, coreógrafo e diretor de centenas de produções, Mahmoud Reda já percorreu mais de 60 países, realizando apresentações nos palcos mais prestigiados do mundo. Ele também foi o principal ator, dançarino e coreógrafo em filmes egípcios. Mahmoud Reda foi universalmente aclamado pela sua dança com a força e o apelo de um Gene Kelly ou Fred Astaire.  Em 1959, fundou a primeira companhia de dança folclórica, The Reda Troup, que consistia apenas de 15 membros, todos dançarinos. Hoje em dia, tem mais de 150 Membros talentosos, incluindo dançarinos, músicos e técnicos. A Troup apresentou-se em mais de 300 shows, incluindo danças e músicas folclóricas, com ritmo diferente e características diferentes, criando uma atmosfera de entretenimento e felicidade. A banda também participou de dois filmes musicais: "Férias de meio ano" e "Amor em karnak". A Reda Troup é endossada pelo governo egípcio "como um grupo capaz de representar o folclore egípcio, tanto na música como na dança." O grupo viajou pelo Egito pesquisando danças folclóricas e depois percorreu o mundo, promovendo aquelas danças como arte, digno de respeito.


Como solista, coreógrafo e diretor, Mahmoud Reda fez quatro turnês mundiais em 58 países, com sua trupe. Ele se apresentou nos palcos de maior prestígio do mundo como o Carnegie Hall (NY, EUA), Albert Hall (Londres, Reino Unido), centro de congressos (Berlim, Alemanha), teatros de Stanislavsky & Gorky (Moscou, União Soviética), Olympia (Paris, França) e das Nações Unidas (NY & Genebra). A trupe de Reda tem se apresentado para muitos líderes mundiais e chefes de estado. Sr. Reda recebeu da ordem das artes do Egito e ciência em 1967, a estrela de Jordan em 1965 e a ordem da Tunísia em 1973. Em 1999, ele foi homenageado pelo Comitê Internacional de Dança da Unesco e pela Conferência Internacional de dança do Oriente Médio, em maio de 2001.

Mahmoud Reda coreografava a partir de técnicas de jazz, ballet, dança Hindu e danças folclóricas da URSS. Seu trabalho influenciou o que é conhecido hoje como dança Oriental (Raks Sharki). Muitos membros do antigo grupo incluem professores como Raqia Hassan, Momo Kadous, Mo Geddawi e Daniel Sherif.  Mahmoud Reda continua a ensinar através de viagens, onde ele instruiu a famosa técnica "Reda". 

Outra realizações de Reda 
Participante nos Jogos Olímpicos de Helsínqui em 1952, Mahmoud Reda representado Egito na ginástica depois de ganhar uma medalha de ouro no livre exercício no países árabes campeonato de Alexandria em 1950. Mahmoud Reda é bacharel em comércio da Universidade do Cairo. De 1982 a 1990 foi sub-secretário de estado no Ministério da cultura. Suas publicações incluem National Band "No templo de dança" para Artes folclóricas egípcias



Mahmoud Reda e Farida Fahmy


Texto Original em Inglês
Born on 18 March 1930 in Cairo, Egypt, Mahmoud Reda is a pioneer of dance theatre in Egypt. Soloist, choreographer and director of hundreds of productions, Mahmoud Reda has toured in more than 60 countries, performing on the world's most prestigious stages. He has also been principal actor, dancer and choreographer in popular Egyptian films. Mahmoud Reda has been universally acclaimed for his dance with the strength of and appeal of a Gene Kelly or Fred Astaire.

In 1959 he founded the first folk dance company, The Reda Band, which consisted only of 15 members , all dancers. Today,it has more than 150 talented members including dancers , musicians and technicians . The band has presented more than 300 shows including dances and folkloric songs , ballads , with different rhythm and different features creating an atmosphere of entertainment and happiness . The band also participated in two musical movies : " Mid year vacation " and " Love in Elkarnak". Reda Band is endorsed by the Egyptian Government "as a band capable of representing the Egyptian Folklore both in music and dances." The group traveled throughout Egypt collecting folk dances, and then toured the world, promoting those dances as fine art, worthy of respect.

As a soloist, choreographer and director, Mahmoud Reda made four world tours to 58 countries with his troupe. He performed on the world's most prestigious stages such as Carnegie Hall (NY, USA), Albert Hall (London, UK), Congress Hall (Berlin, Germany), Stanislavsky & Gorky Theaters (Moscow, USSR), Olympia (Paris, France) and the United Nations (NY & Geneva). The Reda Troupe has performed for many world leaders and Heads of states. Mr. Reda received Egypt's Order of Arts and Science in 1967, The Star of Jordan in 1965 and the Order of Tunisia in 1973. In 1999, he was honored by the International Dance Committee/Unesco and by the International Conference on Middle Eastern Dance in May 2001.

Mahmoud Reda draws from techniques of jazz, ballet, Hindu dance and folkloric dance from the USSR. His work has shaped and influenced what is known today as Oriental Dance (Raks Sharki). Many former troupe members include master teachers Raqia Hassan, Momo Kadous, Mo Geddawi and Yosry Sherif.

This spring, the world famous Mahmoud Reda Troupe and the National Folkloric Troupe joined forces to produce a full two hour extravaganza of one of Egypt's strongest national assets: its folkloric dances at Balloon Theater in Agouza, Egypt. Mahmoud continues to teach through tours where he instructs in the famous "Reda" technique. In July, He will be teaching a 2-days dance workshop in the San Francisco bay area, followed by workshops in Texas, Ohio and North Carolina.

Other Reda Accomplishments
A participant in the Olympic Games in Helsinki in 1952, Mahmoud Reda represented Egypt in gymnastics after winning a gold medal in free exercise at the Arab Countries Championships Alexandria in 1950. Mahmoud Reda holds a degree in commerce from the University of Cairo. From 1982 to 1990 he was Under-Secretary of State in the Ministry of Culture. His publications include "In the Temple of Dance" National Band for Egyptian Folkloric Arts

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

A evolução da dança do ventre no Egito: Dos Cassinos aos dias atuais.


A pesquisa
Muitas pesquisas já forma realizadas sobre as origens da dança do ventre. Alguns pesquisadores encontram vestígios de danças sagradas e ligadas a ritos de fertilidade em civilizações muito antigas, em diversas partes do mundo. A maioria delas ligadas à culturas pagãs da antiguidade, como da Babilônia, Assíria, Egito faraônico, entre outras.
Nossa pesquisa vai se basear em documentos escritos, com descrições a respeito da dança por pessoas que presenciaram pessoalmente estas apresentações e se preocuparam em relata – las a outras pessoas. Muitos destes relatos começam a serem escritos em 1798, com a ocupação francesa no Egito, por Napoleão Bonaparte. Junto com os soldados de Napoleão, pesquisadores franceses entraram no Egito, interessados em aprender sobre sua cultura e sua riqueza. Muito se surpreenderam com a riqueza cultural e com sua dança tão exótica e livre.

No princípio era o Baladi
É preciso entender que a dança que conhecemos como dança do ventre é uma dança cênica, artística, de palco, que teve origem na tradição popular e na maneira popular de inserção profissional desta dança na sociedade egípcia. Raks baladi é a dança popular como o samba é a dança popular do Rio de Janeiro.





Descreveram os europeus dois tipos de dançarinas profissionais no final do século XVIII.
As “Awalin”, palavra que significa “alma”, eram mulheres de haréns (no sentido da parte feminina da casa árabe, não de concubina) especializadas em tocar, dançar, cantar e compor. Eram as únicas mulheres a quem era dado o direito de aprender a ler e escrever.
Estas mulheres eram de alta classe social e eram responsáveis pela organização das festividades femininas do casamento e eram freqüentemente contratadas para isso.
Existiam ainda “Awalin” de famílias menos abastadas. Contratadas para festividades mais humildes.





Existiam também as dançarinas de rua, chamadas de “Ghawazy”, palavra que é o plural de “ghazyia” que significa “dançarina”. Tratavam – se de clãs familiares, entre homens e mulheres, dedicados à arte popular, se apresentando nas ruas, “passando o chapéu” para arrecadar dinheiro. Não só as mulheres se apresentavam, como também os homens que tocavam e dançavam. Muitas apresentações de dança eram intercaladas com números circenses de equilibrismos e malabarismos.
As mulheres “ghawazy” são a imagem da origem da dança do ventre, tendo sido retratadas em muitos quadros, por diversos artistas no século XIX.

Por sua origem nômade e humilde, algumas destas mulheres acumulavam funções de prostitutas, e se aproximavam dos acampamentos franceses no início do século XIX, para cativar fregueses. Por isso Napoleão mandou matar mais de 400 “Ghawazy” e joga – las no Nilo.


Princess Rajaa - Apresentação em 1904


Kharya Maazin - Ghawazy na atualidade

2 - A Era de ouro da dança egípcia: Cassinos e Cinema
No final do século XIX e princípio do XX, temos no Egito uma grande revolução social, acompanhando a revolução industrial que movimentava todo o mundo ocidental. Neste período, o Egito foi social e economicamente dirigido pela Inglaterra, que levou para o Cairo muitos estrangeiros, investidores, arqueólogos e pesquisadores, além de inovações tecnológicas como a fotografia e o cinema.
Neste período, a cena cultural do Cairo muito se desenvolveu a exemplo de como era a própria cena cultural do Rio de Janeiro: Muitos cassinos e casas de espetáculos atraíam não só os estrangeiros, como os próprios egípcios negociantes e residentes na capital.

Tahya Karioka - cabaret

Neste contexto, surge a primeira das grandes estrelas do cinema egípcio: Badia Massabni, libanesa, cedo deixa o cinema para abrir o famoso Cassino Badia e também o Cassino Ópera do Cairo.
Este foi a mais importante casa dedicada a espetáculos no Cairo. Por ela passaram grandes estrelas do cinema como, Naima Akef, Tahya Karioca, Samya Gamal, e grandes músicos como Farid Al Atrche, Mohamed Abdel Wahad e Abdul Halim Hafez.
O Cassino foi palco também de diversas companhias ocidentais de dança, que influenciaram também o modo de dançar das egípcias.
Naima Akef - Dança Popular 

O cinema egípcio teve grande importância na divulgação da dança do ventre pelo mundo árabe e foi grandemente divulgada para o ocidente por Hollywood.
Muitas cenas de cinema retratavam o ambiente cultural do Cairo, com suas casas de show e festividades em praça pública. Muitas ainda mostravam cenas de dança em casamentos e também a dança em cenas de casais.
Samia Gamal - Grande espetáculo - Cassino

Tecnicamente, vale dizer que a dança sofreu grande transformação neste período. Deixando as casas e as ruas e se elevando ao palco, esta dança precisou também refinar – se e adquirir postura cênica. Novos movimentos foram incluídos na movimentação cênica, inspirados nos movimentos de ballet: o arabesque, a movimentação de braços e giros, que antes não eram executados, tendo no balady popular, a movimentação muito concentrada no quadril.
Samia Gamal - Cinema Estilo hollyoowdiano

Desde então, a dança segue seu caminho de evolução, rumo ao refinamento técnico e grandiosidade de espetáculo que podemos apreciar hoje em dia.
Vele a pena estudar e entender a trajetória desta arte no Egito e no mundo ocidental. 

3 - Mahmoud Reda  /  Farida Fahmy
Mahmoud Reda é um grande marco da história da dança cênica egípcia. Este grande coreógrafo foi ator e dançarino com grandes participações no cinema e na TV com sua "Reda Trupe" e a primeira bailarina Farida Mahmy.
Reda e Farida

Não há como falar da história da dança egípcia sem mencionar seu trabalho. Reda "reinventou" a dança popular egípcia, tendo feito pesquisa de movimento e contexto social em diversas áreas do Egito, trazendo ao teatro, cinema e TV muitas coreografias inspiradas na movimentação genuína das tradições populares egípcias, revelando ao próprio egípcio, e ao mundo, sua cultura e sua terra.
Vale dizer que Reda nunca abriu mão de seu próprio estilo, mesmo nas composições folclóricas. Suas coreografias estão recheadas de arabesques, giros, saltos e movimentações refinadas de braços e pernas, que mistura à movimentação típica de cada dança representada.



Foram inventados por ele alguns estilos de dança largamente executados como dança egípcia mundo afora: Melea Laff - representação da antiga mulher alexandrina ou do subúrbio do Cairo, que usava este item tradicional de vestimenta. Não existe uma dança do melea, mas sim a dança cênica que representa este personagem - A mulher egípcia que usa melea.



Mwuashahat - Reda trabalhou sobre um estilo de música muito antigo, mas muito vivo na tradição musical erudita do Egito. Criou muitas peças destinadas à TV e ao teatro. Com vasto vocabulário vindo do balé clássico, este estilo de dança influenciou o que vamos chamar de "Dança Oriental Clássica", reafirmando o papel do balé em uma dança egípcia refinada e de conceito artístico elevado. Pouco trabalho de quadril, muita dinâmica entre os bailarinos e coreografias elaboradas.



4 - Estrelas inesquecíveis
A partir da década de 70, a Dança Egípcia ganha estrelas cada vez mais importantes. Todas grandes dançarinas e estrelas do cinema.
Nagwa Fuad foi um marco como bailarina e produtora, pois inseriu a Dança nos hotéis 5 estrelas e inovou em termos de figurino, cenário e orquestram transformando o show de dança em espetáculo grandioso.
Nagwa - Rotina Oriental  - clip para TV

Nagwa e sua grande banda

Nagwa Fuad e Fifi Abdo no mesmo filme!
(Nagwa é a convidada ruiva e a Fifi a dançarina quase pelada!)

Fifi Abdo é a dona dos quadris mais poderosos da história da dança do ventre!!! Musa inspiradora, a verdadeira Ma'alimah encarnada, a rainha do baladi! Baladi = Fifi. Esta, decididamente não dançava dança oriental clássica. Estilo de dança altamente popular, até mesmo quando decide dançar um rotina oriental, seu estilo baladi é marcante.
Fifi dança rotina oriental

Fifi - Performance balady

Suheir Zaki, foi a mais doce das grandes estrlas das décadas de 70 e 80. Foi ela quem inseriu a interpretação dos grandes clássicos de Om Kalsoum  (Tarab) nos espetáculos de dança. Idolatrada até hoje, Suheir Zaki teve uma técnica muito tanto própria e marcante como suave e encantadora.

Suheir Zaki dança Leylet Hob

 Da década de 80 surgiu uma das maiores estrelas da dança egípcia ainda atuantes hoje em dia: A lenda viva Lucy - Herdeira da Era de Ouro e dona de seu próprio Cabaré no cairo - em seus vídeos podemos avaliar claramente a mudança que a dança egípcia toma com a globalização, internet e maior presença das bailarinas estrangeiras no Cairo.
Lucy - Antes

Lucy - Depois

Dina é com certeza o marco maior da dança do ventre egípcia atual - sinônimo de popularidade, riqueza e inovação. Seu estilo de dança é tão marcante quanto os figurinos que escolhe para usar. Ela mesmo pensa os figurinos, assim como coreografa suas músicas com rigor. Tudo nela é marketing e personalidade. Imitada pelas bailarinas do mundo inteiro, sua técnica é única e sua expressão muito apurada.






5 - Grande referência da atualidade, no Egito, Randa Kamel :



Com o crescente radicalismo do Islã dentro do Egito, cada vez menos egípcias dançam, abrindo mercado para as estrangeiras que buscam na terra da dança do ventre, seu caminho profissional. Algumas se tornam famosas e reconhecidas pelo próprio povo egípcio, como a caso de Soraia - Brasileira e Asmahan - Argentina. Muitas outras já trilharam este mesmo caminho como Sahra Saeda - inglesa e Nur - russa.

Soraia Zaied

6 - Os grandes festivais

Atualmente o Egito abre um novo campo de trabalho para aqueles que vivem de dança lá. A partir os anos 2000 milhares de dançarinas estrangeiras em busca de conhecimento e novas oportunidades de trabalho.
A pioneira, mais reconhecida professora, coreógrafa e produtora é Raqia Hassan, do festival Ahlan wa Sahlan. Multiplicam - se profissionais, coreógrafos e bailarinas descobertas neste festivais para o mundo.