quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Ouled Nail


Ouled Nail
Por Nadja El Balady
Este texto foi baseado nos artigos “The Ouled Nail” de Maggie Mcneil e “Dancing for Dowries part 2 – Earning Power, Ethnology and happily ever after” de Andrea Deagon

No sul da Argélia, nas montanhas do Atlas, desde tempos imemoriais até hoje em dia (ainda) encontramos diversas tribos berberes vivendo e, de acordo com o possível, mantendo suas tradições. Estas tribos, islamizadas entre os séculos VII e VIII, têm seus nomes antecedidos pela palavra “ouled”, que funciona como um tipo de designação: Ouled Abdi; Ouled Daoud; Ouled Nail. A partir da década de 60, suas tradições se tornaram objeto de estudo das dançarinas de dança oriental no ocidente, sobre tudo das norte americanas, que passaram a usar elementos desta etnia como inspiração para suas criações em dança.
Dentre as tribos citadas, Ouled Nail (leia-se wil-ed na-il) ganharam maior atenção por conta das características memoráveis das suas tradições femininas. Diversos pesquisadores ocidentais se interessaram pelo tema e em comum encontraram a informação de que as mulheres desta tribo, chamadas Nailiyat (singular Nailiya), costumavam se dedicar à dança e às artes eróticas durante um determinado período de sua vida. Segundo Maggie Macneil, as meninas nailiyat não eram forçadas a exercer esta atividade, possuíam poder de escolha e ainda assim muitas delas optavam por este caminho.

A partir dos 12 anos as meninas eram ensinadas por mulheres mais velhas da família (que poderia ser a mãe, uma avó, uma irmã mais velha, uma prima ou uma tia) e eram levadas para as cidades abaixo das montanhas para viver durante uma parte do ano e a trabalhar como dançarinas e prostitutas. Estas mulheres mais velhas eram responsáveis pelo bem estar da menina, cuidavam da casa e ajudavam a administrar os negócios. Esta era uma tradição que objetivava acumular dinheiro e joias de modo que, ao retornar definitivamente para suas vilas de origem, esta menina, já tornada mulher, pudesse ter independência financeira, pudesse comprar uma casa própria, investir em um negócio e se quisesse, procurar casamento. Ao se casarem, tomavam uma vida comum, em um casamento fiel, como se espera de toda mulher casada.
Ninguém sabe dizer ao certo o período de origem desta tradição, mas é provável que seja muita antiga, anterior ao Islã, pois foram encontrados registros da presença das nailiyat na ocasião da chegada dos árabes na cidade de Bou Saâda no século VII. Bou Saâda (que significa “Lugar da Alegria”) era um dos principais destinos das nailiyat para sua morada temporária e comunidades inteiras compostas apenas por mulheres eram encontradas por lá.
Nestas comunidades, segundo Andrea Deagon, os homens eram admitidos temporariamente como amigos, aliados, admiradores, parceiros de negócios ou parceiros sexuais, mas nunca em caráter definitivo. Algumas mulheres não chegavam a voltar para sua vila natal, preferindo a vida na cidade, abriam negócios, ou se casavam com estrangeiros.
Segundo Marnia Lazreg (1994), as mulheres das tribos Ouled Abdi e Ouled Daoud, conhecidas como Azriyat, também tomavam as profissões de dançarinas e prostitutas, mas somente quando eram órfãs, se tornavam viúvas, divorciadas, repudiadas, incapazes de se casar por algum motivo. Exerciam estas atividades até que conseguissem casar ou permaneciam sós.


É possível que a tribo Ouled Nail, tanto mulheres quanto homens, cultivassem conceitos diferenciados a respeito de sexo, casamento e amor. Encontramos no texto de Maggie Macneil uma passagem retirada do livro “Flute of Sand” (1956) de Lawrece Morgan que nos dá uma pista a respeito. Trata-se de depoimento de um homem da tribo sobre o casamento com uma mulher que tivesse seguido a tradição:
 “Nossas esposas, sabendo o que é o amor, e sendo proprietárias de sua própria riqueza, vão casar apenas com o homem a quem amarem.  E, diferentes das esposas de outros homens, vão permanecer fiéis até a morte, graças a Allah.”
Alguns pesquisadores adotam a linha de pensamento que as nailiyat dançavam para acumular dote, que o dinheiro arrecadado servia para atrair bons partidos. Esta ideia se tornou popular entre algumas dançarinas norte americanas, ignorando sua prostituição e menosprezando sua independência financeira. É possível que esta interpretação seja fruto direto do machismo vigente no pensamento ocidental e tem origem na interpretação de observadores franceses que desde a ocupação francesa na Argélia em 1830, que consideravam a tradição das nailiyat como uma espécie de rito de passagem antes do casamento. Andrea Deagon aponta para a importância de não diminuir, ou omitir, a atividade de prostituição destas mulheres, pois era um aspecto de uma cultura complexa onde as mulheres eram sexualmente livres e independente financeiramente.
Segundo Maggie Macneil, o contato com a cultura europeia, a partir da ocupação francesa, ao mesmo tempo em que as fizeram famosas, se tornando objeto de pinturas de artistas do período orientalista, trouxe a estas mulheres grandes transformações. Ainda na virada do século XIX para o século XX, mercenários franceses matavam as mulheres para roubar seu dinheiro e suas joias. Oficiais franceses passaram a sobretaxar as viagens e a residência em outras cidades que não suas vilas de origem. Durante a primeira guerra mundial, foram coagidas a trabalhar em cafés e casas específicas onde eram exploradas por homens. Algumas aderiram aos bordéis móveis de campanha, usados pelo exército francês até 1954 e pela legião estrangeira até a década de 90.


No final da segunda guerra mundial, a vida de todo o povo berbere argelino mudou muito, pois o governo autoritário da época os obrigou a trabalhar nos campos da agricultura estatal.
Na década de 70, a dançarina norte americana Aisha Ali encontrou um pequeno grupo de mulheres ainda vivendo e dançando em Bou Saâda. Sua pesquisa nos deixou registro muito importante do modo como se vestiam e movimentavam. A estética de movimento e figuro influenciou diretamente Jamila Salimpour e seu trabalho no grupo Bal Anat e como consequência, todo o Estilo Tribal de Dança do Ventre.
Seu modo de dançar, apesar de cobertas dos pés à cabeça, era considerado lascivo e escandaloso pelos estrangeiros. Muitos movimentos de encaixe pélvico e redondos, shimmies de ombro, lateralização de cabeça, movimentos de mão, cambrés, giros e o uso ocasional de lenços em ambas as mãos.



Vídeos de referência para dança

segunda-feira, 13 de março de 2017

A Influência do Folclore Árabe na Formação do Estilo Tribal

Ao abordar este tema precisamos mergulhar na história da dança do Ventre e sua evolução tanto no Egito quanto nos Estados Unidos. É preciso viajar no tempo. É preciso retornar à década de 70 e tentar, através dos escritos e de imagens, compreender o processo criativo de Jamila Salimpour e Macha Archer, duas grandes referências do período que vamos considerar “Pré Tribal”. É preciso considerar a mentalidade das dançarinas da época e a cultura vigente na Califórnia da década de 70.
Samya Gamal - Golden Age Era
Perceber a diferença entre a Dança do Ventre popular/folclórica, advinda do deserto e a Dança do Ventre que evoluiu para o glamour urbano da tela do cinema e do show business é fundamental para entender a diferença entre os estilos da Dança do Ventre do século XXI.
A evolução da dança do ventre no Egito, desde o final do século XIX até hoje em dia, traz a transição da dança popular egípcia (tipicamente ghawazee e beduína) em uma dança cênica, fusionada e glamorosa. Uma dança totalmente voltada para entreter a sociedade urbana, consumidora de cinema, frequentadora da vida noturna, com gostos cada vez mais refinados e europeizados. Encontramos nos filmes antigos algumas referências à cultura rural no Egito, incluindo suas danças e músicas, mas geralmente estas já eram apresentadas de forma estilizada tanto em concepção musical, como em coreografia. Esta dança, que evoluiu para o estilo egípcio moderno, que possui grande mercado de show business e se espalhou mundo a fora no final do século XX, é a inspiradora do estilo cabaré americano, estre outros.
Ouled Nail
A Dança do Ventre base, de raiz é aquela ligada às danças populares e folclóricas de países do Norte
da África e oriente Médio e são conectadas aos hábitos dos povos do deserto e têm origem milenar. Falamos dos povos nômades, de beduínos, berberes e ciganos. As ciganas ghawazee egípcias, mesmo tendo já há muitos séculos se estabelecido em cidades, têm no DNA da sua arte a estética desenvolvida ao longo das migrações pelo deserto e intercâmbio com estes outros povos. As movimentações femininas de povos da região do Magreb, como a dança das Ouled Nail , danças populares tunisianas e apresentações nos mercados populares são inspirações estéticas para o que vamos chamar de “dança do deserto”. Uma dança não “refinada” no sentido urbano da palavra, que usa elementos de seus povos, de suas vilas, de suas tradições mais antigas. 
Jamila Salimpour
Jamila Salimpour, nascida em 1926 em Nova Iorque (EUA), era dançarina de dança do ventre do estilo chamado “Cabaré americano”. Vamos tentar entender o que é isso em poucas palavras.... As primeiras apresentações de dança do ventre, nos Estados Unidos, aconteceram no início do século XX. Em um ambiente estrangeiro, dificilmente a arte se mantém pura, especialmente se a ela for agregada o talento natural que os americanos têm para show business e comércio. A dança do ventre coube naturalmente nos espetáculos de cabaré e não demorou para que as americanas aprendessem a dançar e o show encontrasse um formato adequado para o gosto público local. Temos que o estilo “Cabaré Americano” evoluiu ao longo do século XX em um ambiente multiétnico (devido a inúmeras imigrações de povos do oriente), com mentalidade artística inovadora e voltada para o comércio com o público americano.
Nas décadas de 60 e 70, somamos a este cenário o ideal hippie, a mentalidade da era de aquário, através da qual uma parcela da população americana busca uma espiritualidade conectada à liberdade do corpo e de movimento. A transcendência através da meditação, da música e das artes. A revolução sexual feminina. Isto tudo se encaixa perfeitamente ao que a dança do ventre pode oferecer à mulher californiana.
Mediante este contexto, retornamos à Jamila. Entre as décadas de 50 e 60 manteve contato com diversas dançarinas egípcias, turcas e armênias. Com elas aprendeu muito de seu vocabulário de movimentos. Ao se casar com Ardeshir Salimpour, pai de Suhaila, foi proibida por ele de se apresentar publicamente e foi quando começou a dar aulas. Sendo uma das primeiras professoras de dança do ventre nos Estados Unidos, Jamila compilou todo o seu conhecimento dos movimentos de diversas culturas e criou um mecanismo onde as americanas pudessem acessar a técnica da dança de forma racional, para que pudessem compreender e transformar em movimentos. Adaptou movimentos, estabeleceu padrões para os toques de snujs e criou terminologias, deu nome para os passos, muitos deles conhecidos por nós ainda hoje em dia como “oito maia” ou “hip drop”. Ela organizou os movimentos de acordo com as etnias de origem e é neste ponto em que finalmente chegamos ao objeto de observação deste artigo. 
Segundo Shareen El Safy, no artigo “Shaping a Legacy: A New Generation in the Old Tradition” As famílias de classificação de movimentos cridas por Jamila os dividia em “Tunisian, ” “Algerian, Moroccan,” “Egyptian, ” e “Arabic. ”  Significa que a movimentação de quadril ensinada por Jamila possuía características étnicas baseadas em danças populares regionais, não só nas apresentações de espetáculo ou nas dançarinas do cinema da chamada “Golden Age of Egyptian BellyDance".
Jamila Salimpour

Egípcias Ghawazee
Dançarina Bal Anat
Berbere Marroquina


Esta influência se torna cada vez mais evidente à medida em que ela estrutura as apresentações do grupo “Bal Anat” na “The Renaissance Pleasure Faire. ” Criado em 1968, o grupo Bal Anat combinava apresentações inspiradas no folclore tunisiano e magrebino com performances típicas de cabaré americano, com uso de acessórios como véu e espadas. A própria Jamila se encaixava nos shows sempre com lindos trajes folclóricos e maquiagens típicas das Ghawazee ou Ouled Nail. As bijuterias, os turbantes, os vestidos, toda uma estética de figurino e movimentação baseadas em etnias
Bal Anat
do norte da África, na região do Saara. A própria concepção cênica lembra as apresentações nos mercados populares de Marrakesh: Músicos em trajes folclóricos tocando ao vivo, dançarinas no palco formando um cenário vivo, o uso de acessórios folclóricos como cestas, jarros e mesmo serpentes. Estes elementos traziam às apresentações do grupo um aspecto exótico, muito valorizado na época. Com certeza, um grande diferencial no mercado de dança do ventre da época.
No grupo Bal Anat, analisando com cuidado, é possível perceber as duas influências, sendo, porém, tudo considerado “Belly dance”. Para nós é importante compreender que nenhuma delas, Jamila Salimpour, Macha Archer ou Carolena Nericcio, precursoras, ou mesmo criadoras, do que veio a se chamar Estilo Tribal, nenhuma delas deixou de considerar o próprio trabalho como Dança do Ventre. Dança do ventre, para todos os efeitos, é de onde veio, e o que define a linha estética do que é e do que sempre será, se não perder a sua essência.*
Vídeo Bal Anat – Influências Tribais X Cabaré Americano

Ainda sobre o Bal Anat e o trabalho de Jamila, vamos encontrar ali diversos elementos como vocabulário de movimentos, toques de snujs e padrões ainda utilizados como a base do Tribal. A maioria baseados em danças Ghawazee e Ouled Nail. Vale considerar que Ciganos, Beduínos e Berberes são povos divididos em diversas etnias, tribos e clãs, e que têm costumes e idiomas próprios. Embora, hoje em dia, sejam de maioria muçulmana, as tribos mantêm suas tradições da melhor maneira possível, apesar das inúmeras dificuldades de sobrevivência apresentadas nos dias de hoje. São considerados verdadeiramente tribais assim como seus costumes, suas músicas e danças.

Vídeo Danseuse des Ouled Nail (Algérie 1901)

Vídeo Banat Mazin Ghawazee

Segundo consta em diversos textos sobre a história do Tribal, Masha Archer foi aluna de Jamila Salimpour e criou o seu próprio grupo, que dirigiu por 15 anos: A San Francisco Classic Dance Troupe. Em sua trupe, Macha pôs em prática muito da estética Bal Anat para figurino e dança, trazendo, porém, alguns diferenciais. A percepção é a de que Macha derruba de vez algumas fronteiras culturais dentro da dança oriental e busca novos elementos em que se inspirar como o Flamenco, agregando flores e xales, bem como uma postura bastante altiva para a dança. É dito pela própria Carolena que no trabalho da San Francisco Classic Dance Troupe já existiam conceitos como o de formação, de coro e “feature” e que esta linha de trabalho foi levada por ela como base para as criações do grupo Fat Chance BellyDance® e que foi largamente ampliada e aprimorada ao longo do tempo de experimentações e que resultou na linguagem estética que hoje chamamos de American Tribal Style®.
Vídeo Macha Archer e San Francisco Classic Dance Troupe

O Estilo Tribal de Dança do Ventre, por tanto, captura a estética de vestimenta e movimentação das danças do deserto e produz um estilo novo e adaptado ao gosto ocidental com referências étnicas diversas que se combinam de maneira inusitada com apelo exótico e artístico. Com raízes tanto em danças tribais ancestrais como no pensamento libertário da das décadas de 60 e 70, o Tribal traduz um desejo de retorno à uma comunidade imaginária, feminina, livre, feliz e que encontra na dança sua maior celebração e união. Isto tudo muito bem elaborado, estruturado, organizado e divulgado por Carolena Nericcio e suas seguidoras que souberam bem comercializar e difundir pelo mundo este trabalho que se desdobrou no Tribal Fusion e o mar de possibilidades estéticas contemporâneas que surgiram a partir de então.
Carolena Nericcio e seu grupo em 1985


[1] Ouled Nail é uma tribo Berbere da região do Magreb, nas montanhas do Atlas na Argélia. Sua tradição ainda é matriarcal e têm na dança sua maior fonte de renda.

* Recentemente têm sido vinculada a informação de que Carolena Nericcio não mais considera o ATS® como um estilo de Dança do Ventre, mas um estilo de Dança. Isto porque as bases do ATS® juntam influências de outras danças matriz como o Flamenco e a Dança Indiana. Entendo que por ser o estilo muito recente em termos de história da Dança ele pode se manter em transformação de conceitos mesmo por sua fundadora, mas até bem pouco tempo, ainda se falava em ATS® como sendo Tribal Style Belly Dance - ou seja - Dança do Ventre

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Estilo Reda e Muwashahat - Música x Dança

Muwashahat um termo para designar a música medieval árabe originada na Espanha islâmica durante o século X. É uma sofisticada forma musical que inclui vocalização e prolongados padrões rítmicos. É considerado um termo tanto para uma forma de poesia quanto para um gênero musical.
O nome muwashahat, foi dado em referência ao Wishah a (faixa) que as mulheres usavam na Andaluzia. É descrito como sendo confeccionado em artesanato delicado, semelhante à intrincada estrutura melódica, rítmica e poética do muwashahat, bem como aos significados que provocava no uso de imagens. Os poemas expressavam diretamente os pensamentos e sentimentos do poeta. A letra falava de amor, alegria e tristeza. O uso de imagens enriqueceu essa forma poética
Embora sejam escritos em árabe clássico, os poemas não se baseiam na métrica da poesia árabe clássica. Em vez de usar uma sequência fixa de sílabas acentuadas e não acentuadas, elas são agrupadas como adaptações de um padrão musical rítmico pré-determinado. 
Al Faruqi em seu artigo “A tradição andaluz”, descreve como um poema apresentado com música, consistindo de repetidos retornos a uma mesma estrofe como um refrão musical.
Em 1492, quase meio milhão de árabes foram expulsos da Península Ibérica. Eles migraram para o norte da África, levando consigo sua tradição cultural. Músicos e cantores carregavam consigo sua herança musical de tratados, instrumentos e diferentes gêneros musicais, que incluíam milhares de muwashahat.
Jihad Racy escreveu que “é aceito comumente que esta forma musical foi introduzida no Egito por um músico vindo de Aleppo na Syria no final do século dezessete”. Este estilo se manteve muito presente na cultural musical do Egito até os primeiros anos do século XX.
Na moderna interpretação deste gênero, estes ritmos intrincados foram substituídos por outros mais curtos e mais dinâmicos em seus padrões. Enquanto a forma essencial permanecia intacta, instrumentos ocidentais eram adicionados, juntamente com uma harmonia simples e o contraponto. As letras dos poemas reeditados ainda retinham o idioma clássico e a metafórica forma descritiva da poesia Muwashahat.

Muwashahat andaluz

Lama Bada Yatathana

Oh Ghazelle - Foad Abdel Magid


Estilo de Dança: Mwashahat Raqisah
Em 1979 Reda foi convidado a passar uma noite musical na casa de Hammada Madkour. Lá, ele ouviu pela primeira vez o talentoso Fouad Abdel Magid outro compositor não profissional que escreveu a letra, compôs e cantou Muwashshahat simplesmente pelo amor e alegria. (Houve muitas noites agradáveis, cheias de música e música realizadas nos anos que se seguiram em nossa casinha). Ali Reda ficou tão impressionado e rapidamente decidiu colaborar com Fouad Abdel Magid para montar uma produção na qual o Reda Troupe tocaria sua música.
Mahmoud Reda produziu para a tv, oito peças de dança. Estas coreografias foram apresentadas no palco pela primeira vez no Cairo em 1980.
Reda diz que, “os significados e imagens evocados são intricadamente tecidos na estrutura dos poemas, como um laço bem dado”, o que é de fato pertinente ao significado da palavra muwashahat na língua árabe, que traz a ideia dos pontos da Wishah, como elos de uma corrente.
Ao contrário do compositor e arranjador musical, Mahmoud Reda não tinha nenhum ponto de referência para coreografar. Embora tenha sido documentado que havia muitas dançarinas, absolutamente nenhuma referência está disponível sobre como elas dançavam. Foi a primeira vez que o Muwashshah foi apresentado como um espetáculo de dança. Reda ele não estava restrito a nenhuma referência temporal específica ou tradição de dança. Isso lhe deu uma ampla gama de movimentos e possibilidades coreográficas. Em suas coreografias, ele contava com sua imaginação artística e como a música o inspirava, além de sua experiência e rico repertório de vocabulário de movimento que acumulou por muitos anos.
Coreografar estas peças foi extensão de um trabalho criativo sem precedentes de Mahmoud Reda. A forma musical deste gênero, com seus variados padrões rítmicos, deu a ele novas bases pelas quais se expressar como coreógrafo. A qualidade estrófica das letras que acompanhavam a melodia influenciou sua escolha nas combinações de movimentos e nos desenhos espaciais.
Ele não tentou nenhuma interpretação direta do imaginário presente nos poemas, mas projetou em forma de dança o ânimo que cada poema evocava.

 http://cursotecnicodanca.blogspot.com.br/2011/08/mahmoud-reda-e-sua-troupe.html

Gharib El Dar - Mahmoud Reda




Minha percepção, experiência e aprendizado direto com Farida me leva a concluir que Muwashahat, enquanto linha estética de dança, está ligado ao que chamamos de estilo clássico de dança oriental, e que vêm a ser a marca registrada do estilo Reda. Mesmo em suas mais profundas pesquisas sobre o folclore egípcio, Reda a tudo misturava seus padrões de giros, “pas de bourrée”, arabesques e “soutenir”, criando uma forma elegante e sofisticada de interpretar qualquer dança popular. 
A influência do Balé na dança do ventre é histórica e tem haver com a própria concepção em si da linha estética de dança “Raks El Shark”.  A partir da década de 20, a bailarina que antes dançava seu baladi (sua dança popular) recebeu treinamento em balé e foi ensinada a se portar em cena. O Figurino foi alterado e a própria dança tomou outro nome, o que torna este estilo de dança cênico, artístico e fusionado em sua concepção, diferente das danças populares egípcias de onde vêm os movimentos de quadril assimilados.
A Reda Trupe surgiu muitas décadas após o início deste processo, quando já os coreógrafos folclóricos ou de dança oriental recebiam desde o início seu treinamento em balé. Acredito que a concepção da dança muwashahat tenha vindo como uma consequência natural.
Nadja El Balady

Inserção do estilo Mwashahat dentro de uma rotina oriental

Este estilo é comumente representado dentro do estilo musical conhecido como Rotina Oriental, Rotina Clássica, Opening Music, Mejance ou Mis em Céne. Este é um estilo que combina diversos estilos musicais em uma só música, fazendo uma espécie de “colcha de retalhos” cultural em cada composição. É comum que as rotinas modernas contenham um trecho de mwashahat, sendo representado por uma estrutura mais ou menos comum a todas as rotinas: A entrada de um ritmo que em cada compasso temos contagem ímpar - Vals (3 tempos) - e/ou extenso (com compassos de mais de 4 tempos) -  normalmente Samai (10 tempos) ou Masmoud Kbir (8 tempos) – acompanhado de arranjo musical com duas sonoridades melódicas predominantes: Violinos orquestrados e qanoum ou alaúde. Teremos uma frase musical tocada com violinos que se repetirá com qanoum ou vice-versa. Nada impede que entrem outros instrumentos como flautas e violinos solistas. Nada impede que sejam outros ritmos extensos utilizados além dos mencionados neste texto. Existem inúmeros ritmos que servem para compor Mwashahat. Aqui cito alguns dos mais comuns encontrados nas composições de Rotinas.
A bailarina pode interpretar este estilo através dos movimentos de Muwashahat ou não. Fica a seu critério. Dentro da leitura musical, o Mwashahat faz pouca distinção entre os instrumentos melódicos. Isto significa que a leitura corporal através do vocabulário de mwashahat não usaria sinuosos com tremidos para Qanoum ou alaúde, por exemplo. Ou sinuosos para flauta. O que eu, Nadja El Balady, acabo por escolher, é uma leitura mista, usando quadril para ilustrar Qanoum e alaúde, e o vocabulário de Mwashahat (de natureza aérea) para o trecho com os violinos.


Nadja El Balady - Trecho de Mowashahat da música Nour ala Nour


Sobre Mahmoud Reda – fonte - http://egyptianacademy.com/jml2/mahmoud-reda


Nascido em 18 de março de 1930, no Cairo, Egito, Mahmoud Reda é um pioneiro do teatro de dança no Egito. Solista, coreógrafo e diretor de centenas de produções, Mahmoud Reda já percorreu mais de 60 países, realizando apresentações nos palcos mais prestigiados do mundo. Ele também foi o principal ator, dançarino e coreógrafo em filmes egípcios. Mahmoud Reda foi universalmente aclamado pela sua dança com a força e o apelo de um Gene Kelly ou Fred Astaire.  Em 1959, fundou a primeira companhia de dança folclórica, The Reda Troup, que consistia apenas de 15 membros, todos dançarinos. Hoje em dia, tem mais de 150 Membros talentosos, incluindo dançarinos, músicos e técnicos. A Troup apresentou-se em mais de 300 shows, incluindo danças e músicas folclóricas, com ritmo diferente e características diferentes, criando uma atmosfera de entretenimento e felicidade. A banda também participou de dois filmes musicais: "Férias de meio ano" e "Amor em karnak". A Reda Troup é endossada pelo governo egípcio "como um grupo capaz de representar o folclore egípcio, tanto na música como na dança." O grupo viajou pelo Egito pesquisando danças folclóricas e depois percorreu o mundo, promovendo aquelas danças como arte, digno de respeito.


Como solista, coreógrafo e diretor, Mahmoud Reda fez quatro turnês mundiais em 58 países, com sua trupe. Ele se apresentou nos palcos de maior prestígio do mundo como o Carnegie Hall (NY, EUA), Albert Hall (Londres, Reino Unido), centro de congressos (Berlim, Alemanha), teatros de Stanislavsky & Gorky (Moscou, União Soviética), Olympia (Paris, França) e das Nações Unidas (NY & Genebra). A trupe de Reda tem se apresentado para muitos líderes mundiais e chefes de estado. Sr. Reda recebeu da ordem das artes do Egito e ciência em 1967, a estrela de Jordan em 1965 e a ordem da Tunísia em 1973. Em 1999, ele foi homenageado pelo Comitê Internacional de Dança da Unesco e pela Conferência Internacional de dança do Oriente Médio, em maio de 2001.

Mahmoud Reda coreografava a partir de técnicas de jazz, ballet, dança Hindu e danças folclóricas da URSS. Seu trabalho influenciou o que é conhecido hoje como dança Oriental (Raks Sharki). Muitos membros do antigo grupo incluem professores como Raqia Hassan, Momo Kadous, Mo Geddawi e Daniel Sherif.  Mahmoud Reda continua a ensinar através de viagens, onde ele instruiu a famosa técnica "Reda". 

Outra realizações de Reda 
Participante nos Jogos Olímpicos de Helsínqui em 1952, Mahmoud Reda representado Egito na ginástica depois de ganhar uma medalha de ouro no livre exercício no países árabes campeonato de Alexandria em 1950. Mahmoud Reda é bacharel em comércio da Universidade do Cairo. De 1982 a 1990 foi sub-secretário de estado no Ministério da cultura. Suas publicações incluem National Band "No templo de dança" para Artes folclóricas egípcias



Mahmoud Reda e Farida Fahmy


Texto Original em Inglês
Born on 18 March 1930 in Cairo, Egypt, Mahmoud Reda is a pioneer of dance theatre in Egypt. Soloist, choreographer and director of hundreds of productions, Mahmoud Reda has toured in more than 60 countries, performing on the world's most prestigious stages. He has also been principal actor, dancer and choreographer in popular Egyptian films. Mahmoud Reda has been universally acclaimed for his dance with the strength of and appeal of a Gene Kelly or Fred Astaire.

In 1959 he founded the first folk dance company, The Reda Band, which consisted only of 15 members , all dancers. Today,it has more than 150 talented members including dancers , musicians and technicians . The band has presented more than 300 shows including dances and folkloric songs , ballads , with different rhythm and different features creating an atmosphere of entertainment and happiness . The band also participated in two musical movies : " Mid year vacation " and " Love in Elkarnak". Reda Band is endorsed by the Egyptian Government "as a band capable of representing the Egyptian Folklore both in music and dances." The group traveled throughout Egypt collecting folk dances, and then toured the world, promoting those dances as fine art, worthy of respect.

As a soloist, choreographer and director, Mahmoud Reda made four world tours to 58 countries with his troupe. He performed on the world's most prestigious stages such as Carnegie Hall (NY, USA), Albert Hall (London, UK), Congress Hall (Berlin, Germany), Stanislavsky & Gorky Theaters (Moscow, USSR), Olympia (Paris, France) and the United Nations (NY & Geneva). The Reda Troupe has performed for many world leaders and Heads of states. Mr. Reda received Egypt's Order of Arts and Science in 1967, The Star of Jordan in 1965 and the Order of Tunisia in 1973. In 1999, he was honored by the International Dance Committee/Unesco and by the International Conference on Middle Eastern Dance in May 2001.

Mahmoud Reda draws from techniques of jazz, ballet, Hindu dance and folkloric dance from the USSR. His work has shaped and influenced what is known today as Oriental Dance (Raks Sharki). Many former troupe members include master teachers Raqia Hassan, Momo Kadous, Mo Geddawi and Yosry Sherif.

This spring, the world famous Mahmoud Reda Troupe and the National Folkloric Troupe joined forces to produce a full two hour extravaganza of one of Egypt's strongest national assets: its folkloric dances at Balloon Theater in Agouza, Egypt. Mahmoud continues to teach through tours where he instructs in the famous "Reda" technique. In July, He will be teaching a 2-days dance workshop in the San Francisco bay area, followed by workshops in Texas, Ohio and North Carolina.

Other Reda Accomplishments
A participant in the Olympic Games in Helsinki in 1952, Mahmoud Reda represented Egypt in gymnastics after winning a gold medal in free exercise at the Arab Countries Championships Alexandria in 1950. Mahmoud Reda holds a degree in commerce from the University of Cairo. From 1982 to 1990 he was Under-Secretary of State in the Ministry of Culture. His publications include "In the Temple of Dance" National Band for Egyptian Folkloric Arts