terça-feira, 12 de novembro de 2013

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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

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quarta-feira, 17 de abril de 2013

Gêneros Musicais Árabes



Apostila de Gêneros Musicais Árabes

Esta é um estudo a respeito do nosso material de trabalho: A cultura musical árabe. Penso que a preocupação em conhecer estes contextos musicais podem muito bem nos tornar artistas melhores a medida em que compreendemos o que ouvimos e por isto temos mais recursos para interpretar.
Pesquisando, achei bem difícil encontrar definições fechadas. É um trabalho árduo e pode tomar anos.  
Esta postagem se destina àquelas que como eu, buscam mais informações para embasar sua dança. Vou complementando e modificando o conteúdo a medida em que aprendo mais sobre este assunto TÃO vasto e relativo....
Para entender os principais gêneros ou estilos musicais árabes, é necessário abrir os ouvidos e estar atento às combinações entre os ritmos e os instrumentos que compõe harmonia e melodia das músicas.
Conhecer os folclores e o conjunto de características sonoras de cada povo pode ajudar a bailarina a encontrar uma melhor interpretação corporal para cada música e entendê-las dentro do contexto de um espetáculo profissional tipicamente árabe.
É preciso compreender também que a arte não tem limites e não pode se resumir às gavetinhas que nosso cérebro tenta organizar para nosso entendimento. Os estilos musicais não estão separados por muros, ao contrário. Ao longo do tempo, um estilo influencia outro até que se forme um novo estilo derivado das misturas. Existem músicas que, inclusive, alternam em si mais de um estilo. Existe também uma diferença sutil, porém significativa, entre duas músicas de um mesmo estilo, sendo que uma foi composta para espetáculo de dança e outra para o rádio... Cabe à bailarina agir com sensibilidade para perceber como direcionar sua dança perante determinada música. 

Tentemos agrupar algumas músicas em estilos principais...
Procurei descrever aqui os essenciais para que uma bailarina profissional possa direcionar sua movimentação dentro da música que escolhe para dançar.
Excluí intencionalmente o estilo Folclórico por ser muito extenso e contar com uma infinidade de variações relativas a culturas populares específicas, de acordo com regiões e países árabes. Uma infinidade de tribos beduínas e etnias que devem ser estudadas separadamente.

Vale ressaltar que esta divisão não é alguma lei ou regra rígida. Foi feita livremente por mim, fruto de minhas conclusões baseadas em aulas, workshops, diálogos com músicos e pessoas ligadas ao mundo árabe em geral. Este modo de pensar tem me ajudado a compreender melhor a musicalidade que é meu instrumento de trabalho. Pode, inclusive, vir a sofrer alterações à medida que continuo estudando e crescendo como pessoa e profissional.


Mashallah / Música religiosa – Apenas para mencionar, existem diversos tipos de música religiosa árabe. Cada etnia, cada povo terá sua própria gama de composições. É muito importante ressaltar que não devemos usar música religiosa para show de dança. É pecado, de acordo com a religião islâmica. Com o tempo aprendemos a reconhecer os gêneros musicais e a escolher as músicas com segurança, mas mesmo assim podem acontecer equívocos. Este é um dos bons motivos para que você procure a tradução das músicas que você escolhe para dançar. Cuidado com a gafe!

Música Clássica Árabe – Este é um gênero extenso e com diversas ramificações. Infelizmente não possuo informações suficientes para explorar este tema de uma forma completa. Desde a poesia pré islâmica, passando por todos os séculos de expansão do islamismo, do império otomano, das trocas culturais com o ocidente, a música árabe construiu sua identidade, que é a identidade cultural de uma etnia composta por diversos povos e nacionalidades. Popular e erudito são distintos, no entanto dialogam entre si em diversas composições através dos elementos musicais como ritmos e maqam. O que mais nos interessa, porém, são as ramificações clássicas utilizáveis para show de dança, como o Mwashahat, o Taqsim e os estilos criados a partir do século XX como as Rotinas Orientais e os grandes clássicos que podemos chamar de Tarab.



Música Sufi religiosa


Antiga música persa



Muwashahat - É uma sofisticada forma musical que inclui vocalização e prolongados padrões rítmicos. Com estrutura clássica, vinda tradição musical religiosa, este gênero musical se originou na Espanha Islâmica durante o século dez.
Al Faruqi em seu artigo “A tradição andaluz”, descreve como um poema apresentado com música, consistindo de repetidos retornos a uma mesma estrofe como um refrão musical.
Jihad Racy escreveu que “é aceito comumente que esta forma musical foi introduzida no Egito por um músico vindo de Aleppo na Syria no final do século dezessete”. Este estilo se manteve muito presente na cultural musical do Egito até os primeiros anos do século XX.
Alguns dos ritmos utilizados na estrutura musical são ternários, em contagem 3, como a Valsa, porém  muitos dos ritmos encontrados são compostos, ou seja, possuem em um mesmo compasso contagem binária e ternária, como por exemplo, o ritmo Samai que possui em cada compasso 10 tempos, podendo se dividir em 3,4,3 ou 3,2,3,2. A maioria das composições coreográficas utilizam a métrica 3,2,3,2. A flutuação melódica sobre esta base rítmica constitui a essência do Mwashahat. Taqsim de flauta e alaúde, muito usados na idade média. Existem diversos ritmos que podem embasar este gênero de música. No passado os ritmos poderiam ser realmente longos, ainda mais longos do que o Samai.
Na moderna interpretação deste gênero, estes ritmos intrincados foram substituídos por outros mais curtos e mais dinâmicos em seus padrões. Enquanto a forma essencial permanecia intacta, instrumentos ocidentais eram adicionados, juntamente com uma harmonia simples e o contraponto. As letras dos poemas reeditados ainda retinham o idioma clássico e a metafórica forma descritiva da poesia Mwashahat.
Diferente da música, a dança Mwshahat é recente e foi criada por Mahmoud Reda na década de 70. Este estilo acaba por definir a própria assinatura artística do trabalho deste coreógrafo. Podemos perceber ali a base do que podemos chamar Dança Oriental Clássica, naturalmente fusionada ao Balé Clássico.


Lama bada yatathana 


Mwashahat sírio: Samai Nahawand


Mwashahat: Samai Bayati





Taksim ou Taqsim - É a tradição musical de improvisação melódica que pode ser um movimento de uma suíte clássica, pode preceder uma composição musical tradicional árabe, grega, ou turca. O Taqsim é a essência da música médio oriental, sendo ao mesmo tempo um estilo musical em si, ou parte de outros estilos sejam eles clássicos ou populares. Uma música balady, por exemplo pode ter um trecho de taqsim, bem como um Mwashahat.
Taqsim é a improvisação baseada em um maqam (escala tonal) principal, onde o instrumento solista passeia por outras melodias e tons até retornar ao principal. Encontramos taqsim de vários instrumentos como violino, flautas diversas, qanoum, alaúde, acordeom, entre outros. Pode ser acompanhado por um ritmo, mas é comum que seja não métrico.
Taqsim pode ser considerado como uma conexão com o mundo espiritual.
Para nós, bailarinas, este é um momento de explorar a sensibilidade e a capacidade de improvisar. Deixar a emoção fluir, explorar os sinuosos e se deixar tocar pela melodia. É importante se concentrar na melodia, pois ela é a essência deste estilo de música. Se o pedaço tiver ritmo, é interessante tentar interpretar esta melodia dentro da métrica rítmica, equilibrando melodia com ritmo, surpresa com musicalidade, emoção e técnica.
O Taqsim Baladi é um estilo a parte. Pode ser definido como a alma da musicalidade popular egípcia. Improviso de Acordeom dentro do maqam estabelecido pela estrutura do Taqsim, e este dialoga com o derbake enquanto flutua pela melodia. Normalmente a percussão toca a base rítmica em Maqsoum ou Masmoud Saghir (baladi). Aconselho interpretar este estilo utilizando a técnica e a ginga baladi, bem egípcia, vestindo galabia para dar um toque bem popular a sua interpretação. 



Taqsim Qanun


Taqsim Nay


Taqsim Accordeon


Taqsim violino

Oriental / Sharq (Rotina Oriental) – Entendo por Rotina Oriental uma estrutura musical, oriunda da tradição musical clássica, que combina diversos estilos musicais árabes para formar uma só composição. Por isso, nela encontramos variedades de ritmos, instrumentação melódica e harmônica que remetem à musicalidade árabe como um todo, incluindo as tradições populares e folclóricas.
Com a evolução da dança do ventre cênica (de palco) durante o século XX, esta estrutura musical foi concebida para se prestar aos espetáculos de dança, sendo, hoje em dia, a maior parte destas músicas compostas com esta função específica, ou seja: Compostas especificamente para ser a música de abertura de um espetáculo de Dança Oriental, a entrada, onde a bailarina pode demonstrar técnica e conhecimento musical. Muitas vezes chamadas de "Mejance", ou "Opening Music", as variações destas músicas se determinam com o fluxo de mercado e com a evolução do tempo. Anteriormente as músicas tendiam a serem longas, muitas vezes respeitando a tradição árabe do improviso artístico. Hoje em dia as composições são cada vez mais curtas, e as apresentações cada vez mais coreografadas, atendendo às expectativas de público e eventos ocidentais.

Estas músicas, em geral, possuem estrutura similar, que podem ser divididas em:
Introdução, chamada, entrada, um trecho balady, um trecho com solo (taksim) de instrumento melódico, mwashahat, folclore, solo de derbake e finalização.
Pode – se encontrar músicas com todas estas variações, ou não. Assim como alguns trechos podem se repetir. Não existe uma regra obrigatória e pode ser que alguns elementos não apareçam. Ponto em comum é sempre a entrada da música, em geral composta com grandes acordes de violinos orquestrados.

Para dançar bem este estilo é imprescindível conhecer ritmos árabes, folclore e outros estilos musicais.




Beata Cifuentes


Randa Kamel

Clássicos Árabes e Tarab 
Quando falamos em Clássico Árabes, nos referimos diretamente às músicas que foram compostas em determinado período histórico,  entre as décadas de 50 e 70, quando o movimento de valorização popular transformou toda a cultura egípcia.
Equivalente à importância que a Bossa Nova teve para o Brasil, os Clássicos eram (e são) sinônimo de bom gosto e refinamento. Sinônimo de boa cultura, apreciado por muitos, não só no Egito, como em todo o mundo árabe.
São músicas tradicionais muito famosas, muitas delas em composições rebuscadas, feitas para ouvir e embalar sonhos de amor. Arranjos refinados, poesia sensível. São músicas cuja dramaticidade não pode ser ignorada pela pessoa que a está interpretando, seja na voz ou no corpo.
São famosas por sua complexidade musical, melodias elaboradas e nunca saem de moda no mundo árabe.
São músicas longas, divididas em partes ou capítulos, do mesmo modo como uma ópera é dividida em árias. Possuem grandes introduções e trechos instrumentais. A poesia é muito importante, é romântica e extasiada. As composições mais famosas foram compostas entre as décadas de 40 e 60, quando se eternizaram. O modo de compor foi sendo alterado com o passar do tempo de modo que nenhuma música moderna chega ao esplendor e poesia das composições deste período.
Musicalmente, este estilo utiliza variação grande de ritmos e estilos. Muitas vezes combinam estilos musicais populares e eruditos em uma só composição, alternando trechos "baladis", "taqsims" e  "mwashahats".
Tarab é uma expressão que, em português, significa: “O êxtase alcançado por público e artista no momento em que a arte acontece.” Ou algo similar. Da tradição musical clássica egípcia. 
É difícil definir o que faz de uma música um “Tarab”. Segundo o professor egípcio Khaled Eman, Tarab é um estilo específico dentro das clássicas egípcias, pois além de serem músicas longas (com mais de uma hora de duração, normalmente), suas poesias precisam NECESSARIAMENTE começar com uma pergunta. E todo o resto da poesia seria uma viagem conduzida pelo artista na busca da resposta para esta pergunta e ainda depois de lamentações, apelos e esperanças esta resposta talvez ainda não se encontre ao final da música. Dentro deste ponto de vista, Tibidi Mnein El Hikaya seria um Tarab, mas Enta Omri não, pois não começa com uma pergunta.  Enta Omri e outras músicas muito famosas de Om Kalsoum, que nós aqui no Brasil conhecemos como Tarab, seriam tradicionais clássicas. Apesar disto, estas músicas têm as mesmas características musicais de qualquer outro Tarab.
Aliás, dançar uma música deste estilo é também se entregar à interpretação. Se a música for cantada, é necessário conhecer a tradução e o sentimento da letra em questão, mesmo que se esteja dançando uma versão instrumental. Muitas músicas destas possuem introduções grandes, não letradas, que podem servir para a bailarina utilizar em seu show sem a obrigatoriedade de interpretar, pois estas introduções não têm letra. Mas ao dançar a parte cantada, melhor podemos apreciar mediante a interpretação da bailarina que pode levar o público ao estado de “Tarab”.
 Vale dizer ainda, que este gênero não era utilizado em espetáculos e shows de dança até meados da década de 1980, quando a famosa bailarina Suheir Zaki interpretou pela primeira vez o grande clássico Lessah Faker em palco.
Om Kalsoum foi a mais famosa cantora do estilo, que teve como compositores mais famosos Mohamed Abdel Wahab, Abdul Halim Hafiz, Farid el Atrach, entre outros.
Exemplos de músicas clássicas que se interpretam como Tarab: Tibidi Mnein El Hikkaya, Inta Omri; Alf Layla wa Layla; El Hob Koulo; Leylet Hob, Daret Al Ayam, Lessah Faker.




Um Kulthum


Orit Maftsir interpretando Daret Al Ayam

video

Soraia Zaied interpretando Nebtedi Mnen al Hikaya



Mona El Said - Howa Sahih

Sha’abi Nos referimos neste estilo às músicas populares do Egito, especialmente as que usam a musicalidade do Cairo e adjacências. A palavra Sha'abi quer dizer literalmente "popular". Em teoria, qualquer estilo popular poderia ser assim denominado. Mas esta nomenclatura ficou conhecida pelos próprios egípcios para denominar um estilo surgido na década de 70 como uma resposta das classes menos favorecidas à música elitizada dos clássicos árabes. Mais ou menos como o surgimento do pagode no Rio de Janeiro, ou o brega do nordeste, o estilo se tornou um símbolo da região.
Existe inclusive um estilo marroquino conhecido como Chaabi. Mas aqui vamos falar do Shaabi egípcio, tanto o antigo já com músicas das décadas de 70 e 80 consideradas tradicionais, como o moderno conhecido como Street Shaabi, ou Mahraganat Shaabi.
Desde as músicas mais modernas às mais tradicionais e folclóricas, as composições deste estilo são frequentemente compostas com elementos típicos da cultura egípcia: Usam os ritmos maqsoum, falahi, said e podem incluir solos de acordeom e Mawal ( lamento poético improvisado, como um taksim de voz).
Na década de 70, a partir do acesso ao processo de gravação de fitas K7, a população suburbana do Cairo pôde compor, produzir e consumir suas próprias músicas. Um estilo fadado ao sucesso de consumo, fazendo as menina dos olhos das recém criadas gravadoras populares.

Eram músicas que falavam de coisas corriqueiras da vida comum e muitas delas eram bem românticas. É bem comum encontrarmos personagens nas letras das músicas, como a mulher formosa que caminha na rua chamando atenção, ou a moça feliz no dia do casamento, ou ainda o moço que sonha com o amor platônico da moça bonita que vê passar ao longe, dentre muitos exemplos do estilo.

Grande compositor famoso do estilo na década de 70: Ahmed Adaweya. 
É importante ressaltar que as composições deste período eram bem próximas às características da música baladi. Mesmo povo, mesma região, mesmos instrumentos, mesmas frases melódicas, mesmos elementos musicais. O que diferencia é a passagem do tempo e a mudança de recursos técnicos, como o uso de sintetizadores e teclados que imitam outros instrumentos e barateiam o processo de produção.

Com o passar do tempo, ao longo das décadas de 90 e primeira década dos anos 2000 o surgimento e fortalecimento da música pop egípcia. Processo de globalização, internet e o avanço da tecnologia, bem como o surgimento da MTV egípcia foram fatores fundamentais para a entrada de elementos ocidentais na música moderna do Egito. Vídeo clips, e cantores com visual cada vez mais ocidental. Batidas eletrônicas e elementos modernos.
A partir do fenômeno político-social conhecido como "Primavera árabe", na virada da segunda década dos anos 2000, a música popular tomou uma características de músicas de protesto. Músicas de protesto político, músicas de protesto social. Músicas que falam sobre sexo e drogas. Músicas que clamam por liberdade e transformação social. Músicas que chocam, ou falam de amor. Músicas de baixa qualidade musical, mas sempre com um apelo popular muito forte. A música dos jovens de periferia. Do jeitinho do Funk carioca, um estilo que influencia a tudo, quer você goste, ou não. É cultura popular, quer você goste ou não. Vende, faz sucesso e dinheiro, quer você goste ou não.
Na dança, os jovens usam muitos passos de hip hop, street dance, até break. É um estilo bem americanizado, embora mantenha a essência musical egípcia.

Pra usar uma música destas no show de dança do Ventre é bem interessante prestar atenção na letra da música. Saber o que se dança e evitar  gafe e procurar um estilo popular para representação corporal. Em termos de figurino, evitar o figurino clássico de princesa. Pode ser uma mini saia, um figurino ousado, justo, com fendas. Que imite um vestido sexy de noite, ou ainda a boa e velha calça jeans.


"Nadja, esta música é Baladi ou Sha'abi?"
Muitas vezes minha resposta é: "Não sei"

Baladi cantado e sha'abi antigo se confundem de montão. Ambos os estilos são compostos, apreciados, tocados e dançados pela mesma população, embora o Street sha'abi tenha ainda uma conotação mais comercial. Acho que uma boa comparação seria a diferença entre o samba de roda e o pagode. Você sabe que tem uma diferença, mas saberia explicar para um estrangeiro qual é? Faz sentido que o gringo não saiba diferenciar de ouvido os diversos tipos de samba, não é? Mas você sabe qual é a diferença entre o samba de roda, o pagode, o de gafieira, o samba enredo e por aí vai. A diferença é quase intuitiva. No caso de baladi e sha’abi antigo,  ambos os estilos usam mesmos ritmos de base, principalmente maqsoum e fallahi, usam acordeom como instrumento melódico principal, têm uma maneira falada no cantar, falam dos mesmos temas. Tem até sha'abi que enaltece as qualidades da mulher baladi! Só mesmo um egípcio, ou um músico egípcio, pode efetivamente te apontar o que é baladi e o que é sha'abi.
Mas, não entrem em pânico!
A conclusão a que chego é que isto não tem tanta importância para você, dançarina. Uma vez, que a movimentação que você vai usar para interpretar a música é a mesma para baladi ou sha'abi tradicional. A diferença vai realmente existir quando você decidir interpretar uma música moderna. 
Isto vai fazer diferença na sua performance: Se a música é tradicional, ou moderna. O novo Sha'abi pede interpretação, figurino e movimentação modernas, uma maneira mais ousada de dançar, se vestir, se comportar.
Acho interessante mencionar que, no caso do Street Sha’abi, a maneira como os egípcios dançam estas músicas em suas festas, não será exatamente como a dançarina levará uma coreografia desta ao palco. Muitas vezes o que veremos é uma interpretação bem mais “belly dance” das músicas do que o que efetivamente é dançado pelos egípcios.  Nas coreografias vemos algumas referências de movimentação Sha’abi real, bem misturado com o trabalho de quadril da dança do ventre.


Ahmed Adaweya


Ahmed Adaweya  - Shaabi antigo


Sha'aby com Dina e Saad







Pop / Modernas – Este é um termo bem abrangente para classificar determinadas músicas que são muito usadas para shows de dança, embora não tenham sido compostas com esta finalidade. Aqui vamos incluir músicas de diversos países e períodos, caracterizando um estilo renovável, com inúmeros intérpretes e compositores em todo o mundo árabe.
Músicas pop podem ser românticas e mesmo aquelas com arranjos mais refinados possuem em sua intenção um apelo comercial. São produzidas para serem tocadas no rádio, em videoclips e venda para grande público.
A música pop tem modificação de região para região, de um país para outro, de acordo com os ritmos e instrumentação característica de cada povo. Por exemplo, a música pop saudita terá características do Khaliji. O pop egípcio será Sha'abi e o libanês terá a musicalidade do Dabke.
Existe ainda a música árabe eletrônica, produzida para a pista de dança, batidas House, Electro, Trance, tocadas em boates e festas.
Uma outra linha é a das músicas românticasPossuem refrão meloso e as composições mais modernas se aproximam muito, em determinado sentido, da música pop romântica ocidental. Aliás, podemos comparar este estilo à nossa MPB. É um estilo de música radiofônico, com apelo popular, melodia suave.
Vai se tornando cada vez mais pop com a inclusão de sintetizadores e a pasteurização dos arranjos. É como se fosse um pop lento...
As músicas egípcias têm uma musicalidade mais melancólica, em geral, e acabam soando musicalmente como as antigas composições clássicas, como “Tarab”, justamente pela influência da tradição musical egípcia. Entre as décadas de 70 e 80 vamos encontrar uma transição entre o antigo estilo clássico e as pop românticas. A cantora Warda tem diversas canções que, embora possuam arranjos simplificados e sejam músicas bem menores do que as antigas, são consideradas clássicos. Como exemplo, podemos citar "Batwanes Beek". Ainda grande para os padrões de hoje em dia, a versão original tem 14 minuto, mas já é bem menor do que os grandes clássicos de 1 hora de duração. 




Pop Egípcio


Pop Libanês


Haifa Wehbe - Yama Layaly - Eletro


Música romântica

Batwanes Beek - Warda




Performance ou Raksa – Este é um estilo bem pouco comentado, mas recentemente descobri que alguns músicos dão a nomenclatura "Raksa" para um estilo que até então eu não possuía vocabulário para denominar. É, em realidade, um termo abrangente para músicas que são compostas para show de dança. O objetivo das composições é criar climas através de imagens sonoras, que são facilmente percebidas e interpretadas corporalmente, quase que contando uma história. São normalmente músicas instrumentais. Existem músicas para show de dança compostas dentro da estrutura tradicional, como a Rotina Oriental Clássica, ou mesmo as antigas músicas turcas de artistas como George Abdo e Eddie Kochak. O próprio solo de percussão é um tipo de composição para show de dança, porém podemos pensar nesta nomenclatura principalmente para as mais performáticas que se valem da musicalidade árabe em geral, de todos os seus ritmos e muitas vezes de fusões com outros gêneros musicais não árabes. Encontramos várias músicas destas em CDs de Cias de dança famosas. As americanas parecem apreciar bastante este tipo de música para shows. Não é normal encontrar uma egípcia dançando músicas assim. O que nos faz pensar que é um tipo de música voltada para o mercado ocidental da Belly Dance. Hossam Ramzy tem diversos CDs com várias composições excelentes nesta linha. Existem muitos outros compositores além dele. São músicas ótimas para dançar com acessórios como véus, espadas, leques, taças, etc...


Amar Gamal - Wings



Dança com Espada



Solo de Percussão – Este estilo pode ser considerado tanto performático, como parte da tradição popular. Considerado o Taqsim da Tabla ou Derbake, que pode ou não ser acompanhado de outros instrumentos percussivos. Estilo musical inserido no show de dança, produzido no intuito de demonstrar refinamento e agilidade técnica do músico e da Bailarina. Arranjos e convenções de inúmeros instrumentos de percussão árabe, podendo o solo ser feito com apenas um músico, ou com vários. Pode ser utilizada toda a infinidade de ritmos árabes. Normalmente é o estilo escolhido para encerrar um show, após o folclore. Mas não é obrigatório. Aliás, nenhum estilo é obrigatório em um show. Existem inúmeras variações, mas geralmente, assim podemos observar. Existem solos de percussão que seguem regras musicais bem típicas da cultura egípcia, que são bem bacanas para usar trechos folclóricos nos shows, finalizando um taqsim baladi ou uma performance ghawazee. Existem outros solos que usam ritmos diferenciados, arranjos modernos e ficam mais ao gosto das dançarinas virtuose ocidentais. Estes podem ser dançados sem critérios folclóricos, onde a dançarina pode usar qualquer recurso corporal para sua coreografia.





Estilos Musicais X Estilos de Dança
Podemos considerar os Gêneros Musicais como o conhecimento a respeito de cultura e música árabe que todas nós podemos adquirir, sendo árabes ou não.
Existem duas maneiras de interpretar a questão de estilos de dança. A primeira pode ser abordada pelo seguinte ponto de vista: Uma mesma música é interpretada por mim diferentemente de você, pois temos histórias corporais diferentes. Esta diferença é mais visível em grupos de bailarinas que desenvolvem a dança oriental como aspecto da sua cultura, ou aprendem a dançar na mesma escola, com os mesmos professores. Por exemplo: estilo egípcio, estilo libanês, turco, estilo argentino, americano, russo, europeu... ou ainda: Padrão Khan el Kalili, Estilo Tribal, Fusion Belly dance, etc...

Agora veremos uma segunda hipótese: a dos estilos de dança, considerando o domínio técnico e escolhas corporais de movimento para interpretação das músicas. O que diferenciaria a maneira como danço um clássico da maneira como danço um baladi, por exemplo. Que escolhas posturais, de movimentação de braços ou de deslocamentos uso em cada gênero de música?

Dentre os estilos de movimentação mais utilizados pelas egípcias e que concernem à própria história da Dança do Ventre, podemos listar:

Estilo Baladi egípcio – Estilo que define a essência da Dança Egípcia, relacionada à cultura do Norte do Egito, relacionado ao Cairo. Movimentação concentrada no quadril, pouca ou nenhuma fusão, pouca utilização de braços que são próximos ao corpo. Interpretação forte. Dança Popular Baladi. 


Fifi Abdu

Observe que pode acontecer de a bailarina, sendo egípcia, manter o estilo baladi, mesmo em músicas clássicas.


Dandash 


Estilo Clássico Oriental – Estilo que define a Dança do Ventre considerada com o surgimento da Dança Cência, desde o Golden Age, com a expressão das estrelas do cinema egípcio, tendo seu apogeu no surgimento do Mwashahat e o estilo Reda. Funde elementos do Ballet com joelhos alongados, meia ponta alta, braços elevados, alongados, giros e deslocamentos.




Naima Akef


Coreografia oriental de Mahmoud Reda

Suheir Zaki

Nagwa Fuad

Estilo Egípcio Moderno - A dança do Ventre egípcia pós anos 90 com o sucesso da inovação do estilo egípcio de Dina e Randa. Bastante elementos de  Dança Moderna e Jazz. 


Dina

Randa Kamel

Jade El Jabel

Folclore – Concernente a cada estilo folclórico, variando interpretações para palco ou representações populares. Nas criações cênicas é comum utilização de elementos do ballet, como giros, e posturas e também desenhos cênicos e formações coreografadas.

Soraya Zaied dança Ghawazy

Performance e Fusões – Utilização de músicas compostas especificamente para o palco; Fusões da dança oriental com danças de outras culturas: Cigana, espanhola, indiana, brasileira, argentina, dark, etc, etc; Utilização de músicas ocidentais como rock, hip hop, samba, tango e etc... Utilização de acessórios e elementos cênicos variados e de qualquer natureza: Véus, taças, espadas, punhais, fogo, serpentes, etc, etc, etc... Puramente cênico, sem limites culturais para criação.


Belly Rock - Thalita Menezes




Tribal - A pesar de ser um ramo da Dança do Ventre, tem fundamentos próprios, princípios artísticos, estéticos e vocabulário que fazem ser um estilo fechado em si, aberto em uma dimensão diferente da Dança do Ventre do ponto de vista da cultura árabe. Consideraremos como um estilo de dança a parte, que também trabalha com fusões e que cresce do ocidente para o oriente e não ao contrário. Estilo livre  e fusionado desde sua criação, tem todo sua história ligada a dança do ventre americana. O estilo matriz é o ATS® (American Tribal Style®) da Cia FatChance BellyDance®, mas sua vertente mais famosa é o Tribal Fusion e sua diversidade criativa.



ATS® - Fat Chance Belly Dance


Rachel Brice - Tribal Fusion


Bem interessante notar que Estilos Musicais e Estilos de Dança podem se cruzar, dependendo da escolha da bailarina e dos elementos culturais a qual o estilo musical é afeito, da concepção coreográfica e da assinatura artística de cada coreógrafo.

Não há nenhuma lei que te impeça de dançar deste jeito ou daquele outro na música que você quiser. Arte é arte. O que aqui é demonstrado através deste gráfico é fruto da observação e daquilo que considero como bom senso e bom gosto. Mas claro que cada um tem o seu.










[1] Tarab é uma expressão sem tradução exata que significa o estado de êxtase, ou transe, ao qual atingem artista e expectador durante a execução de uma música ou performance. Musicalmente é sinônimo de refinamento poético e sensibilidade musical. É certo que a expressão pode ser designada a qualquer arte, inclusive a religiosa, mas acabou por designar um estilo específico de música no qual pode-se chegar a este estado de espírito.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Apostila de Folclore Árabe


Estudar as danças populares árabes é importante para quem deseja decifrar os mistérios da musicalidade árabe, fator fundamental para o desenvolver criativo da dança oriental.

As danças populares estão ligadas a ritmos e instrumentos musicais específicos que têm na tradição folclórica a sua origem.
Importante primeiramente é esclarecer que aqui o termo folclórico deve ser entendido como popular e tradicional. Folclore como manifestação popular de música e dança, viva, criativa, em constante renovação. Nunca folclore morto e esquecido, mas sempre valorizado e praticado por boa parte da população que reconhece sua origem.
Acho interessante pensar também que o Egito já possui uma larga tradição de espetáculos folclóricos e por isso compositores que compõe músicas estilizadas específicas para este fim. Uma coisa é pensar na dança popular como é manifestada espontaneamente pelo povo, como seria um clã ghawazy em suas apresentações de rua, ou as danças de colheita entre os fazendeiros. Outra coisa é pensar nestas mesmas danças transposta ao palco, com coreografias ensaiadas, figurinos harmoniosos e música adequada ao espetáculo. Estes mesmos gêneros de música popular são utilizados para a composição da Rotina Oriental Clássica Egípcia e também para elas sofrem modificações pelos compositores em função dos arranjos musicais.
Outra coisa importante é lembrar que ritmos não são de propriedade particular do gênero musical com o mesmo nome, podendo ser inseridos em diversos gêneros diferentes. Ex: O ritmo Said não é propriedade particular da cultura Said, nem das músicas Said. Vamos encontra-lo também na musicalidade baladi, sha’abi de diversos tipos, música alexandrina, entre outros...

Vamos ver aqui alguns os principais folclores e gêneros populares árabes ligados ao espetáculo de dança do ventre e que mais influenciam as músicas feitas para tal.
Estes são assuntos complexos e vastos, por se tratarem da cultura de povos diversos. Aqui estamos tentando resumir e ao mesmo tempo fazer entender sobre os assuntos abordados. Há muito o mais o que falar sobre cada tópico e cada um dele valeria uma monografia por si só. Muito pode ser complementado posteriormente.

Baladi

Baladi literalmente significa "minha terra", mas é uma palavra que traz diversos significados e conteúdo extenso. É um gênero musical, um jeito de dançar, uma maneira de falar e de se comportar. Aquilo que se refere à cultura própria de quem usa a expressão.
Sempre relacionado ao povo, principalmente à população suburbana do Cairo, com origem em regiões do interior e áreas rurais do Egito, que migraram para a área urbana no período de maior expansão da cidade.
Bint Baladi é o filho da terra que ainda vive de acordo com os costumes da sua região de origem. Esta mistura de culturas, levada ao Cairo, originou uma própria maneira ser “baladi” na cidade.
Na dança, Baladi é o nome que se dá ao estilo popular que mais se aproxima da dança do ventre como a conhecemos. É sinuoso, sensual, e quando falamos neste estilo, quase sempre nos remeteremos a um gênero específico de música, o taqsim de acordeom, também chamado de taqsim baladi. Ou ainda àquelas músicas bem tradicionais e antigas, que contém o acordeom como instrumentação principal, acompanhado de flautas e violinos. 


Baladi não é folclore no Egito, isto é importante ser compreendido. Assim como o Samba não é folclore para nós. Apesar disto, uma apresentação de baladi, com um taqsim de acordeon, ou uma música baladi tradicional, vai ser encaixada na categoria de folclore para efeito de festivais e concursos aqui no Brasil. Uma apresentação que tenha intenção de retratar este baladi, deve ter movimentação corporal que melhor se adeque à interpretação do estilo. Um vocabulário de movimentos específico, que bem represente a maneira tipicamente egípcia de se movimentar.
Para compreender o Baladi e suas diferenças em relação à “Raks Shark” (que conhecemos como Dança do Ventre), é preciso compreender o conceito entre dança popular e dança de palco.
Para simplificar, diremos que a dança de palco teria a obrigação de buscar um refinamento que se adequasse às exigências de um público, modificando desde a maneira como a artista se coloca em cena até a escolha do figurino, que deve inovar e ser apropriado para a cena sob a luz dos spots.
A dança popular será em família, com amigos, em ambiente descontraído, uma festa, um evento popular, sem por isso exigir refinamento técnico de quem a pratica, sendo desenvolvida de forma espontânea e natural. Podemos comparar ao nosso samba brasileiro, onde se difere o modo como sambamos em festas do samba que é levado para o palco por passistas e dançarinos profissionais.

Note – se que de forma alguma isto significa que a dança popular seja de fácil execução ou aprendizado, mais sim, que é natural para aquele que pertence àquela cultura.

Para interpretar o baladi, é muito importante tentar compreender a alma do Cairo, a movimentação corporal das mulheres, sua maneira de se comportar, sua sensualidade, seu cotidiano.
Pode ser legal compor um personagem para interpretar seu baladi: por exemplo, Ma'alimah é a mulher que comanda, a patroa, a dona do negócio, aquela que paga o salário, que é chamada de "senhor" pelos homens. Um tipo de personagem muito característico e bacana de ser explorado em apresentações de baladi. A Fifi Abdo tem uma personalidade bem ma'alimah, per bom se inspirar nela.
Foco na movimentação de quadril, agilidade na bacia, contração da musculatura do baixo ventre são a marca da movimentação do estilo: muitos oitos, ondulações, encaixes e tremidos. Não há ênfase na movimentação de braço, nem giros rebuscados, nem é necessário meia ponta. A movimentação de braço é modular, isto é: faz moldura para a movimentação de quadril, mudando naturalmente confirme você muda a posição. Como se fosse um aprendizado intuitivo, a bailarina baladi, ou Sha’aby, aprende a dançar por conta própria, como a passista de samba no Brasil.

Hoje em dia é comum ver apresentações de dançarinas internacionais dançando taqsim baladi de forma moderna, com idas ao chão, muitos braços e mãos, arabesques, giros, pernas e  cabelos. Chamam de New Baladi e usam figurinos bem modernos. Pessoalmente não acho a nomenclatura adequada, uma vez que um baladi reinventado fora do Egito, de baladi efetivamente não possui nada. Você pode gostar e fazer, mas tenha em mente que está fazendo qualquer coisa, menos baladi.



Para apresentações de baladi tradicional, o figurino indicado é a galabia, o vestido longo que é vestimenta comum do dia a dia no Egito. Você pode usar uma galabia branca e larga, como a da Fifi Abdo, pode usar de qualquer cor, pode ser justa, transparente, pode ser larga, pode ser brilhante, pode ser fechada, pode ser decotada com o bustiê aparecendo. Existem diversos modelos e todos eles são bem vindos para a caracterização do seu baladi.



Existem alguns elementos bem característicos da música baladi, como o uso de ritmos 4/4 ou 2/4 como Maqsoum e fallahi. O acordeom como instrumento melódico principal, além do uso de flautas doces, qanoun e violinos. O lamento – Mawal – muitas vezes está presente, onde o cantor improvisa enaltecendo a noite, a lua ou a mulher amada.




O Taqsim Baladi tem uma estrutura fixa, chamada de Progressão Baladi, que facilita o improviso do instrumento solista, que pode ser qualquer instrumento melódico: flautas, qanoun, violinos, porém na maioria das vezes será executada com acordeom. A primeira parte é lenta, onde a melodia desenvolve solo (Kbir). A cadência é dada pela entrada do derbake dialogando com a melodia em uma base rítmica 4/4, normalmente maqsoum ou ainda masmoud saghir (El Tet). Ritmo e melodia progridem, então, para um trecho mais acelerado em base rítmica 2/4, normalmente fallahi (Ingerara). Os trechos podem se repetir antes da finalização sempre com um arranjo conhecido, onde o solista puxa o fim da progressão de modo que percussionistas e dançarina entendem que a finalização está para acontecer.




Baladi é um gênero musical que é sempre aplicado nas Rotinas Orientais que tanto gostamos para apresentações de Dança do Ventre. Aliás, é a alma da Rotina. Ainda não vi nenhuma Rotina sem Baladi, que geralmente vem logo após a entrada. Pode ser em outra posição também, pode inclusive ter dois trechos baladis diferentes em uma rotina. Vai ser caracterizado pela presença do acordeom sobre um ritmo 4/4 como o maqsoum, masmoud saghir ou said. Muitas vezes você tem este acordeom dialogando com violinos orquestrados, criando espaço para diferentes movimentações por parte da dançarina.

Bailarinas egípcias, tradicionalmente dedicam grande parte de seus shows aos diversos tipos de baladi e Shaabi. Existe inclusive uma estrutura tradicional para estas apresentações: Pode começar com uma parte cantada, um taqsim de acordeom e finalizaria com solo de derbake. Uma rotina baladi.





Apresentações baladi podem ter uso de alguns acessórios como snujs, pandeiro, bastão, bengala e shisha. Ou ainda candelabro, na caracterização de uma Awalen.


Fifi Abdo - Progressão Balady e bengala


Sha'aby

Sha’aby para mim, é uma face do baladi. O significado da palavra literalmente é “popular” e pode ser relacionado com temas diversos, como comportamento, vestimenta, música, dança, hábitos. É, assim como o termo “baladi”, uma referência cultural. De forma literal, qualquer povo, e sua cultura,  pode ser considerado sha’abi, um a vez que o termo em si tem tal significado. Porém, como uma aplicação específica, os próprios egípcios relacionam o termo com uma população específica, residente no Cairo, urbana e de origem proletária.

 Em termos de música, normalmente estaremos nos referindo à música popular egípcia, cantada, radiofônica e relacionada ao povão. Como o pagode no Brasil, ou mesmo o Funk. Este estilo foi criado na década de 70, como uma resposta da classe operária à sociedade, valorizando sua própria forma de se expressar artisticamente.  Sha'abi pode ser tradicional, dançado com galabia assim como o Baladi. Um exemplo de Sha’aby tradicional seriam as músicas de Ahmed Adaweya. Bem próximo do balady feito nas décadas de 70 e 80. Praticamente não se distinguem. Como o samba de roda e o pagode, você pode até saber a diferença entre um e outro, mas não sabe dizer qual é...








Hoje em dia se dança muito a face mais moderna do Sha'abi, chamado de Street Sha'abi, ou Modern Sha'abi, ou New Sha'abi, ou ainda o termo egípcio Mahraganat Shaabi, que é justamente a música pop popular, povão, como o nosso pagode ou funk. São músicas que tocam em festas, boates, não têm exatamente passos "certos". Podemos encontrar alguma influência do Hip Hop estadunidense na movimentação das pessoas, de uma forma leve e descontraída. 











Para show, a bailarina pode usar um figurino bem moderno tipo calça jeans ou mini saia, ou mesmo roupas do dia a dia. Sha'abi pode ser muito divertido se interpretado. 

É preciso sempre estudar as letras para saber do que fala a música, pois muitas podem ter duplo sentido, ou então abordar tema de mau gosto para uma apresentação de dança.












Baladi X Sha'abi


"Nadja, esta música é Baladi ou Sha'abi?"

Muitas vezes minha resposta é: "Não sei"


Baladi cantado e sha'abi antigo se confundem de montão. Ambos os estilos são compostos, apreciados, tocados e dançados pela mesma população, embora o sha'abi moderno tenha ainda uma conotação mais comercial. Acho que uma boa comparação seria a diferença entre o samba de roda e o pagode. Você sabe que tem uma diferença, mas saberia explicar para um estrangeiro qual é? Faz sentido que o gringo não saiba diferenciar de ouvido os diversos tipos de samba, não é? Mas você sabe qual é a diferença entre o samba de roda, o pagode, o de gafieira, o samba enredo e por aí vai. A diferença é quase intuitiva. No caso de baladi e sha’abi,  ambos os estilos usam mesmos ritmos de base, principalmente maqsoum e fallahi, usam acordeom como instrumento melódico principal, têm uma maneira falada no cantar, falam dos mesmos temas. Tem até sha'abi que enaltece as qualidades da mulher baladi! Só mesmo um egípcio, ou um músico egípcio, pode efetivamente te assinalar efetivamente o que é baladi e o que é sha'abi.

Mas, não entrem em pânico!
A conclusão a que chego é que isto não tem tanta importância para você, dançarina. Uma vez, que a movimentação que você vai usar para interpretar a música é a mesma para baladi ou sha'abi tradicional. A diferença vai realmente existir quando você decidir interpretar uma música moderna. Isto vai fazer diferença na sua performance: Se a música é tradicional, ou moderna. O Street Sha'abi pede interpretação, figurino e movimentação modernas, uma maneira mais ousada de dançar, se vestir, se comportar.
Acho interessante mencionar que, no caso do Street Sha’abi, a maneira como os egípcios dançam estas músicas em suas festas, não será exatamente como a dançarina levará uma coreografia desta ao palco. Muitas vezes o que veremos é uma interpretação bem mais “belly dance” das músicas do que o que efetivamente é dançado pelos egípcios.  Nas coreografias vemos algumas referências de movimentação Sha’abi real, bem misturado com o trabalho de quadril da dança do ventre.









Said

Principal ritmo popular de todo o mundo árabe é não só folclórico como também usado em diversos outros estilos musicais.
É bem importante entender que Said é toda uma cultura e comportamento relativos ao Sul do Egito, ou Alto Egito, como muitos mencionam. Existem várias danças Said.
Dentro deste conceito, Ghawaze é uma destas vertentes do Said, por causa da família Maazin, que se estabeleceu nesta região há muito tempo.  O mais importante para nós é conhecer o Tahtib, o estilo Ghawaze e o que é associado à dança de palco com bastão, que é conhecido aqui simplesmente como Said em nossos concursos e apresentações de dança árabe.



 música do Sul do Egito


A dança Said realizada pelas mulheres em show de dança, lá no Egito, NÃO mistura movimentos de quadril de dança baladi ou ghawazy com os movimentos do Tahtib masculino.  Chamada “Raks Al Assaya”, “Dança da Assaya”, ou ainda " Dança do Bastão" (Asaya é um tipo de madeira com que se faz o bastão no mundo árabe) compreende a performance de palco, utilizando livremente os estilos, de acordo com  a musicalidade. Aqui no Brasil é bastante comum que as dançarinas preencham suas coreografias de solo e grupo com movimentos de Tahtib. Isto acontece porque os próprios coreógrafos trazem para nós esta linguagem, para efeito comercial dos workshops. É fruto também de muito "telefone sem fio" na maneira como as informações são transmitidas por aqui.
Se observarmos apresentações de dançarinas egípcias, vemos que encaixam um ou outro movimento de Tahtib, mas a movimentação permanece nos shimmies e quadris típicos das Ghawazee. Imaginamos sempre que a mulher característica da região Said, não dança profissionalmente, e que esta performance estaria ligada à um show de uma Ghawaze residente na região Said. Esta família se estabeleceu nesta região há muitos séculos e acabou por incorporar ao seu canto e dança, a musicalidade e corporeidade típicas da região Said. É comum que estas pessoas destes núcleo familiar façam apresentações públicas de música e dança. São contratados para festas e eventos e então tocam e dançam aquilo que os contratantes da região apreciam. E nisso, formam uma tradição, típica dos ciganos que se adequam à região onde se estabelecem. Incluem trechos de Said em suas performances e as suas dançarinas dançam com bastão, criando a dança do bastão feminina. Quanto mais ginga e vocabulário gestual Said, mais bacana fica a caracterização da apresentação.



Randa kamel

É bom ressaltar que a dança feminina com bastão, ou bengala, feita por grandes dançarinas profissionais no palco, pode não estar necessariamente associada à cultura Said. A "Raks Al Assaya" é uma liberdade artística e vai caracterizar aquilo que a dançarina bem quiser, pode ser baladi, ou uma música qualquer em que ela ache interessante incluir o acessório.
Segundo o egípcio Khaled Eman, as mulheres deveriam sempre usar a bengala, deixando o bastão para uso das danças masculinas. Vejo muitas mulheres usando bastão, apesar desta ser a opinião de alguns.

Tahtib é a “dança-luta” masculina egípcia que dá origem à dança com bastão. Os homens dançam Tahtib em todo o Egito e existem algumas poucas diferenças entre as danças do norte e do Sul. Os passos são bem saltados e eles executam muitos malabarismos com o bastão. Tudo originado na demonstração de habilidades para impressionar os oponentes. Os movimentos incluem intenções de choque do bastão em algo imaginário, que pode ser as pernas, ou o bastão do oponente. Também é comum baterem o bastão ao chão, junto com as batidas fortes da música.




Tahtib na praça


Tahtib no palco

Ghawazy ou Ghawazee

Ghawazy é na verdade plural da palavra “Ghazya” que significa bailarina. É o estilo originário da dança do ventre, pois as gawazy foram as primeiras bailarinas profissionais do povo egípcio. A maior parte das famílias mais tradicionais deste estilo folclórico estão situadas hoje em dia no Alto Egito, fazendo deste estilo uma marca da região.
Os clãs de ciganos do deserto, passaram séculos se deslocando e comercializando com outros povos nômades como Beduínos e Berberes. Desde a diáspora cigana, imagina-se que os núcleos ciganos que desceram pelo Oriente Médio transitaram por muitos séculos até atingir o Norte da África e por ali ainda se dividiram por diferentes regiões, como Egito, Argélia, Tunísia e Marrocos. Estes que imigraram para o Egito há muitos séculos e se estabeleceram em algumas regiões do território egípcio: Na região Delta, na região Said e no próprio Cairo. Uma família destes clãs ciganos foi significativa para a expressão pela qual diversas outras passariam a serem conhecidas: A família Ghazy, estes ficaram muito famosos por suas apresentações na região Delta e também no Cairo. Em 1864 o rei Faruk expulsou estas famílias e proibiu suas apresentações em praça pública. A maioria imigrou para o sul, para a região Said, Assim como a família Maazin, há muito estabelecida no Sul. "Banat El Maazin" - As filhas de Maazin - São ainda muito conhecidas por suas apresentações de música e dança típicas Ghawzee da região Said. Nos dias de hoje, são as mais famosas e com quem as bailiarinas estrangeiras conseguem maior contato.
Existe ainda na região Delta do Nilo, no Norte, uma região conhecida como Soumboti, que abrigou (e talvez ainda abrigue) um núcleo de famílias ciganas. Música, ritmo, dança soumboti, se conectam com a expressão Ghawazee e podemos perceber nela uma forte influência beduína. É muito difícil conseguir registros musicais genuínos desta região, bem como conseguir assistir a esta dança. O maior contato que temos é mesmo com as gravações e registros da música e dança dos ciganos do Said.
À primeira vista a dança das Ghawazy pode ser considerada como que “sem acabamento”. Movimentação de quadril específica com twist, shimmy de 3/4, básico egípcio folclórico, e qualquer outro movimento, desde que com o “feeling” ghawazy, festeiro, exagerado e puladinho, como o Said.
Característica do estilo é a improvisação. Improvisações solo, em duplas, em rodinhas. Clima de festa na praça é o essencial.
Principais ritmos: Said, Maqsoum e Fallahi. Principais instrumentos melódicos: Flautas Nay e Mizmar e Rabeh.

Muitos Saids são tocados e compostos por artistas deste estilo, suas tradições são Said. Existem famílias que se situam também em regiões fallahin e às vezes pode ser difícil para nós que somos estrangeiras entender todas as nuances e diferenças de regionalismos.
As bailarinas ghawazy também dançam Said, podendo ou não incorporar passos do Tahtib.
Muitas músicas acabam incluindo ritmos Said e fallahi, deixando na virada deste último ritmo as improvisações musicais soltas, criando uma vibração bem aguda.
Pode ser dançado com pandeiro, snujs, bastão, bengala, candelabro ou sem acessório.
Figurino: galabia de qualquer cor, pastilhas ou lantejoulas bordadas, ou de Assuit (ou malas) moedas, e lenço bordado cobrindo os cabelos.

Imagens do filme Lacho Drom

Kharyya Maazin

Khaliji

RAKS NASHA'AT, a dança dos cabelos, ou Khaliji, como conhecemos no Brasil. É uma dança popular característica das regiões do Golfo Pérsico, Emirados Árabes Unidos, Kwait e trechos da Arábia Saudita. Khaleege na verdade é o nome da etnia árabe reinante na região. O povo Khaliji, a etnia que veio das tribos beduínas Khaliji.
 Khaliji pode ser dançado em festas de família ou em espetáculos ou ainda em comemorações tradicionais de comunidades beduínas. Dependendo da região os movimentos se diferenciam. Nas apresentações de folclore árabe no Brasil, costuma – se valorizar os movimentos de cabeça e o balanço dos cabelos. Existe uma pisada típica e um “suingue” muito específico do Khaliji, que talvez tenha se desvirtuado um pouco na movimentação feita por bailarinas brasileiras. Bailarinas profissionais do Brasil que viajam aos Emirados Árabes retornam com as informações sobre esta dança popular e em geral utilizam muitos giros de cabeça. O figurino típico de Khaliji é uma bata bem comprida, larga e com a manga bem grande. O uso desta bata em apresentações profissionais no mundo árabe caiu em desuso, porém é considerado de bom tom usar no Brasil, visto que a maioria das pessoas desconhece esta manifestação popular. Não é bom que o público pense que a bailarina está dançando dança do ventre quando realiza um Khaliji. É comum que as artistas interpretem a música que estão dançando e incluam gestuais de mãos em suas performances, mas não significam exatamente um passo de khaliji
.
Menina dançando Khalige descontraidamente sem bata


Performance coreográfica artística

Bailarina brasileira em show no Emirados Árabes


Meleya Laff - Eskandarany

Melaya = lenço; Laff = enrolado. A dança do lenço enrolado. Performance cênica, criada para espetáculo de dança, ligada ao contexto baladi que tenta retratar um tipo específico de mulher egípcia que utilizava em sua vestimenta um longo lenço preto para cobrir seu corpo, de acordo com a moda da época. Este folclore é ligado também a Alexandria, embora exista certa diferença entre o melea do Cairo e o de Alexandria. Reza a lenda que a origem desta dança nos palcos foi em uma apresentação criada por Mahmud Reda e Madame Farida Fahmi para determinado filme na década de 70. Passou a ser realizado por inúmeras bailarinas no Egito e copiado para o exterior. Segundo Gamal Seif, para interpretar a mulher de Alexandria usa-se vestidos mais curtos e para a do Cairo, galabias longas. A mulher de Alexandria seria mais despojada e a do Cairo mais recatada.
A performance do Meleya estaria ligada à estória da mulher alexandrina que vai ao mercado comprar peixes, mas na verdade está indo arrumar um marido. Passeia na ponta dos pés a beira mar.
Para este tipo de interpretação é legal usar música eskandarani, isto é, típica de Alexandria e da região costeira do norte do Egito. Já ouvi algumas músicas alexandrnas usar um instrumento chamado Semsemeya, típico de Port Said e da região do canal de Suez. A Semsemeya se usa para Mamboty, que também é chamada por aqui de dança dos pescadores. Eles usam muitas palmas de mão - Kaff - e também tocam colheres. Já vi performances de palco de casal, onde a mulher usa o Melaya e o homem dança mamboty. Alguns pulinhos de mamboty no seu meleya podem ir bem!

 













Técnica baladi de quadril, e interpretação de cena com o lenço preto e algum subtexto geralmente ditado pela música que pode contar alguma estória, ajudando a criar um personagem. Não é raro no Brasil número de Melaya com alguma cena cômica. Não é fora de contexto, por se tratar de baladi, mas também não é necessariamente obrigatório...
Principais ritmos: Said, Fallahi e Baladi. Instrumentos melódicos / harmônicos: Acordeom, violino, flauta e Semsemia. Músicas baladi típicas da região do Cairo ou alexandrinas. Existem também músicas compostas para performance de Meleya.
A gente encontra trechos de estilo eskandarani nas Rotinas Orientais. Sempre com base fallahi, violinos orquestrados velozes, às vezes flautas... aquele trecho da música que você escuta e fala: "isso é meleya!" é eskandarani.
Figurino: vestido ou galabia como vestido de festa. Não necessariamente cafona, mas muitas usam com cores vibrantes, de acordo com a moda da década de 80. Sandália de salto e o principal: o Melea que é o lenço preto. Pode ter arco de pom pom na cabeça e shador de crochê no rosto.

Meleya coreografado por Mahmoud Reda



Performance folclórica de Fifi Abdo

Dabke Libanês

O texto a seguir, foi retirado de propaganda de workshop de Dabke do professor Nasser Mohammed:
"Desde o tempo dos fenícios (cerca de 4.000 a.c.), a cobertura de telhados planos nas casas do oriente médio era feita de ramos cobertos com lama.
Na mudança de estação entre o outono e o inverno, a dilatação proporcionava rachaduras nessas coberturas, fazendo com que as chuvas de inverno trouxessem vazamentos.
Por isso, os proprietários das casas pediam ajuda aos vizinhos para recompor a mistura. Todos subiam ao telhado para recompactar a lama, fazendo com que penetrasse em todas as frestas, a fim de evitar os vazamentos.
Com o acompanhamento de um Derbake, e uma flauta Mijwiz, os homens se distraiam no ritual das batidas e assim podiam compactar os telhados de suas aldeias e das aldeias vizinhas, mesmo sob o frio e a chuva. Mais tarde, um rolo de pedra substituiu os homens que, no entanto, já acostumados, continuavam a bater os pés nas ruas da aldeia”.

O dabke não requer o movimento dos braços, marca-se o ritmo com as batidas dos pés e é realizada em grupo. Apesar de ser originalmente masculina, hoje em dia pode ser vista sendo dançada por toda a família.

Dabke popular é o Dabke de roda, realizado em festas, mas pode ser coreografado para apresentações em shows. Na roda do Dabke existe uma hierarquia de posicionamento, ficando a ponta da roda para os homens mais respeitados da comunidade, em seguida suas mulheres. A ponta de dentro da roda é a responsável por puxar o ritmo e a alegria da roda e também onde fazem os passos mais difíceis. O resto da roda segue simplesmente a batida com um passo básico sempre igual.
Nas apresentações de palco, retira-se o deslocamento em roda e são utilizados os mesmos passos da ponta interna da roda, sendo estes baseados no passo básico entremeados por saltos e batidas de pé de acordo com a contagem do Dabke.
Existem diversos tipos de dabke, com diferentes ritmos e diferentes contagens de passos e frases musicais. 
Muitos países dançam Dabke. Toda a região mediterrânea do Oriente Médio, Líbano, Síria, Palestina, Jordânia, até a Armênia, inclusive no Iraque. Professores especializados sabem diferenciar o dabke libanês, do sírio e do palestino, bem como de outros lugares. Também existem regionalismos dentro de um mesmo país que vão originar tipos diferentes de Dabke, sendo os mais conhecidos o Libanês de Baalbakie da cidade de baalbek (6 tempos) e o Bedáuye com os beduínos (12 tempos mas sendo contato com 10 tempos) muito usados em coreografias.

Existem diversos ritmos específicos da musicalidade libanesa que vão caracterizar o dabke daquele país. Entre eles, Katakufti, nawar, malfuf, jabalee.
Um dos instrumentos principais de percussão do Dabke é o Tabl, uma espécie de grande zabumba de corda, também utilizada no Egito para tocar Said.

Para cada ritmo, uma contagem. Normalmente, em dabke popular, as frases musicais têm ciclo de 8 em 8 tempos, porém o passo na roda é contado em 6, de modo que os passos encaixam e desencaixam da música constantemente. Pode parecer estranho no início, mas depois que a gente se acostuma, se torna divertido. Um dos tipos de Dabke é contado em 6, tanto as frases, quanto os passos, é bem ágil e mais fácil para compreensão de quem dança. Como mencionado anteriormente, também existem músicas cujos ciclos das frases musicais se repetem de 12 em 12 tempos, cujo passo na roda acompanha o tempo.


Dabke Dalaouna

Dabke Palestino

Haggala

Haggala é um tipo de dança beduína, das tribos beduínas que residem na região de Marsa Matruth, noroeste do Egito.

O texto a seguir foi retirado de trecho do livro escrito por Madame Farida Fahmy em seu trabalho de conclusão do curso para Mestrado em Artes e Dança da Universidade da Califórnia. Fonte: site http://jalilahs.multiply.com

“Em Haggalah há um aspecto competitivo onde diferentes grupos batem palmas chamando a solista, e aquele grupo mais forte ou carismático ganha a presença da solista perto dele. Essas palmas sofrem flutuações de dinâmica e velocidade, o que pode alterar a construção da dança.
Além de Marsa Matruh, essa forma de dança também é encontrada no oásis de Siwa e ao leste da Líbia.
Uma mulher ou uma dupla de mulheres, dançam movidas pelas palmas de grupos de homens, que competem entre si, para ganhar a atenção das mesmas.
Geralmente acontecem para celebrar casamentos ou as vésperas de um enlace. Também são apresentadas em festas para honrar visitantes ou selar um compromisso.
O passo típico desta dança é o "shimmy" conhecido pelo mesmo nome Haggalah, uma versão maior e mais relaxada do movimento em L (shimmy de ¾) dos quadris.
A música praticamente é toda improvisada, baseada na voz dos participantes e nas palmas que acompanham todo o tempo a performance. Mais tarde criaram-se versões especiais para que esta dança pudesse ser apresentada no palco”.
O figurino utilizado por Reda em suas coreografias de Haggalah é uma galabia bem colorida, com espécie de avental bem franzido, rodado, e colocado à altura do quadril. Este avental faz efeito de saia. No cabelo, lenço preto bem comprido cobrindo todo o cabelo até a altura dos quadris.
Ritmo básico: Malfuf

Haggala coreografado por Mahmoud Reda




Zar
De acordo com as pesquisas na Internet, o Zar consiste em um ritual religioso de exorcismo, que traria a cura para diversas doenças, dentre elas doenças mentais, vindas de possessão por maus espíritos. O ritual teria origem na Etiópia no século 18 e teria se espalhado pelo Sudão, Egito e Irã. Existem diversos tipos diferentes de ritual Zar, onde a incorporação se dá principalmente nas mulheres e existe todo um processo religioso, que muitas vezes nos recordará rituais da Umbanda e Candomblé brasileiros. Bem como no Candomblé, onde as pessoas podem aprender e desenvolver artisticamente as danças dos Orixás, pessoas que dançam Zar não precisam estar incorporadas.  Existe toda uma tradição musical relacionada ao Zar e é comum que músicos nativos sejam contratados para se apresentarem a plateias interessadas em sua cultura. Apesar de mulçumanos ou cristãos, integrantes das comunidades onde existe o ritual do Zar acreditam fortemente na influência dos espíritos bons e maus. No Egito este tipo de prática é encontrada ao sul, região conhecida como Alto Egito.



Este vídeo é o registro de uma performance de um grupo nativo e tradicional chamado Rango.



No vídeo abaixo encontraremos imagens de rituais legítimos, bem como performances feitas por uma dançarina egípcia e também por uma americana. É bem interessante notar as diferenças entre as três situações.


http://www.youtube.com/watch?v=2KJFlDtT70c



Para maiores detalhes, recomendo a leitura da página do Site Angel Fire, com o link a seguir:



http://www.angelfire.com/co2/dventre/zaar.html